Após anos de especulações e dezenas de documentários que tentaram desvendar a identidade de Satoshi Nakamoto, criador do Bitcoin, uma nova produção parece ter chegado mais perto da resposta. O filme "Finding Satoshi", lançado recentemente após quatro anos de pesquisa e entrevistas, propõe que o projeto não foi desenvolvido por uma única pessoa, mas sim por duas: Hal Finney e Len Sassaman, ambos já falecidos.
O documentário, que tem como foco a investigação conduzida pelo autor William Cohan e pelo detetive particular Tyler Maroney, analisa uma lista de suspeitos comuns no universo dos cypherpunks: Adam Back, Nick Szabo, Hal Finney, Len Sassaman, Paul Le Roux e Wei Dai.
Utilizando técnicas de ciência de dados, análise linguística e depoimentos de especialistas, a cientista de dados Alyssa Blackburn, da Baylor College of Medicine, estudou o "ritmo digital" de Satoshi. Segundo o filme, apenas Finney e Sassaman se encaixam no perfil traçado pela análise.
Blackburn afirmou que era "inconcebível" que Adam Back, Nick Szabo ou Wei Dai fossem Satoshi com base nos dados coletados. Essa não é a primeira vez que Sassaman é apontado como possível criador do Bitcoin. Em 2024, apostas em plataformas como a Polymarket indicavam que ele seria o nome revelado no documentário "Money Electric: The Bitcoin Mystery", da HBO. No entanto, sua viúva, Meredith Patterson, negou a alegação, afirmando que o marido não tinha relação com a criação da criptomoeda.
Já o documentário da HBO acabou nomeando o desenvolvedor Peter Todd como possível Satoshi, algo que ele negou. Recentemente, o jornalista John Carreyrou, conhecido por expor a fraude da Theranos, publicou uma reportagem sugerindo que Adam Back poderia ser o verdadeiro criador do Bitcoin, uma alegação que Back sempre negou.
O papel de Hal Finney no desenvolvimento do Bitcoin
O documentário "Finding Satoshi" atribui a Finney o papel de principal desenvolvedor do código do Bitcoin. Em janeiro de 2009, Finney foi a primeira pessoa a receber uma transação de Bitcoin diretamente de Satoshi Nakamoto. Além disso, anos antes, ele havia criado o Reusable Proof of Work (RPOW), considerado o precursor mais próximo do Bitcoin — embora seu nome não tenha sido mencionado no whitepaper da criptomoeda.
Tyler Maroney, um dos investigadores do documentário, chegou a sugerir que Finney não poderia ter escrito o código do Bitcoin por não ser conhecido por dominar a linguagem de programação C++, utilizada na criação da moeda. No entanto, Will Price, ex-chefe de Finney na PGP Corp., onde ele trabalhou por cerca de 16 anos, descartou essa possibilidade com uma risada:
"Para um engenheiro como Hal, aprender C++ não seria um problema. Ele era extremamente talentoso e capaz de dominar qualquer linguagem de programação rapidamente."
Apesar da falta de uma "prova definitiva", o documentário apresenta uma narrativa convincente ao conectar pontos que, segundo os autores, sempre estiveram visíveis desde 2009. Pedro Solimano, correspondente de mercados da DL News, afirmou que, embora não haja uma "arma fumegante", a abordagem do filme é mais sólida do que as tentativas anteriores, que muitas vezes se baseavam em especulações ou "jogadas de efeito".
Com a morte de Finney em 2014 e de Sassaman em 2011, a confirmação definitiva da identidade de Satoshi Nakamoto pode nunca ser alcançada. No entanto, o documentário "Finding Satoshi" oferece uma das teorias mais bem fundamentadas até o momento, reacendendo o debate sobre um dos maiores mistérios do mundo das criptomoedas.