A estimulação magnética transcraniana (EMT) direcionada, uma técnica não invasiva, mostrou-se eficaz para reduzir sintomas do transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), com benefícios que persistem por meses após o tratamento. Publicado na The American Journal of Psychiatry, o estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade Emory e contou com a participação de 50 adultos com TEPT.
Como a EMT age no cérebro
A EMT utiliza pulsos magnéticos para modular a atividade em regiões específicas do cérebro. No caso do TEPT, a técnica foi aplicada para reduzir a hiperatividade da amígdala, estrutura cerebral responsável pelo processamento do medo. Os pesquisadores identificaram, por meio de ressonâncias magnéticas, os pontos exatos para aplicação do estímulo em cada participante, personalizando o tratamento.
Resultados promissores em curto e longo prazo
Os participantes foram divididos aleatoriamente em dois grupos: um recebeu EMT ativa, enquanto o outro recebeu placebo. Após duas semanas de tratamento, os que receberam EMT ativa apresentaram redução significativa na reatividade da amígdala ao medo e melhora nos sintomas de TEPT. Esses benefícios se mantiveram por pelo menos seis meses, período avaliado no estudo.
Dos participantes que receberam EMT ativa, 74% apresentaram redução clinicamente relevante dos sintomas. “Este estudo demonstra que podemos direcionar diretamente os circuitos cerebrais envolvidos no TEPT e promover mudanças mensuráveis tanto na função cerebral quanto nos sintomas”, afirmou Sanne van Rooij, PhD, pesquisadora principal e professora associada de Psiquiatria e Ciências Comportamentais da Universidade Emory.
Vantagens em relação a terapias tradicionais
Diferentemente da terapia de conversa tradicional, a EMT não exige que os pacientes revivam suas experiências traumáticas, o que pode facilitar o acesso ao tratamento. Muitos participantes relataram mudanças emocionais significativas, como melhora no controle de pesadelos e na forma de lidar com o trauma. Alguns descreveram o tratamento como “transformador” e afirmaram que ele “devolveu suas vidas”.
Impacto e próximos passos
Este é o primeiro estudo a utilizar ressonâncias magnéticas para individualizar a aplicação da EMT em casos de TEPT. Os resultados avançam no entendimento da neurobiologia da recuperação e sugerem um novo caminho para o tratamento do transtorno, tanto local quanto globalmente.
Além da Universidade Emory, colaboraram com a pesquisa a Escola de Medicina de Harvard, a Universidade Estadual de Wayne, o Dartmouth College e o Centro Nacional de TEPT. O estudo foi financiado pelo Instituto Nacional de Saúde (NIH) e pela Fundação de Pesquisa do Cérebro e Comportamento.