O furacão Helene, que atingiu o sul dos Apalaches em setembro de 2024, deixou um rastro de destruição nas terras agrícolas da região. Fazendas familiares, como a de Will Runion, no Tennessee, tiveram prejuízos milionários com a erosão do solo e a deposição de areia e detritos.

Um ano após a tragédia, a luta pela recuperação

Will Runion, proprietário de uma fazenda de 736 acres dedicada à criação de gado e produção de feno, viu sua propriedade ser devastada pela enchente. Em setembro de 2024, enquanto trabalhava na construção de um campground às margens do rio Nolichucky e colhia o último feno da temporada, o furacão Helene avançava em direção aos Apalaches carregando chuvas torrenciais.

O rio, já elevado, transbordou subitamente. Às 11h, a água marrom rompeu as margens, isolando Runion e sua equipe. Em poucas horas, o rio atingiu 1.200 pés de largura — quase dez vezes seu tamanho normal — arrastando árvores, galpões, fardos de feno e entulhos. Equipamentos agrícolas foram perdidos, e a casa que seria usada como escritório do campground foi levada pela correnteza.

Quando as águas recuaram, Runion encontrou um terço de suas terras coberto por detritos, peixes mortos e tomates de produtores a montante. Dois buracos do tamanho de campos de futebol haviam se aberto em suas pastagens de feno, com até 12 pés de profundidade. Outras áreas estavam soterradas por até 8 pés de areia e silte.

"Quando você vê 4 pés de solo arenoso sobre o seu solo fértil, sabe que é um desafio enorme. Foi avassalador."

Impacto econômico e ambiental nas regiões rurais

O furacão Helene despejou até 30 polegadas de chuva sobre o sul dos Apalaches, causando inundações históricas e deslizamentos de terra em seis estados: Carolina do Norte, Carolina do Sul, Tennessee, Geórgia, Kentucky e Virgínia. Nessas regiões, onde a agricultura é vital para a economia e cultura local, as pequenas propriedades rurais foram duramente atingidas.

Na Carolina do Norte, os prejuízos agrícolas foram estimados em US$ 4,9 bilhões. No Tennessee, as perdas chegaram a US$ 1,3 bilhão. Milhares de agricultores perderam plantações, ferramentas, maquinário, galpões, animais e cercas. A recuperação do solo, agora coberto por camadas de areia, tornou-se uma batalha diária.

O desafio de reconstruir o solo

O solo agrícola da região é naturalmente fértil, mas as inundações deixaram camadas de areia e silte que sufocam as raízes das plantas. Agricultores como Runion enfrentam a árdua tarefa de remover a areia e restaurar a fertilidade do solo, um processo que pode levar anos.

"A areia é como um deserto. Não retém umidade nem nutrientes. Precisamos trazer de volta a matéria orgânica e a estrutura do solo", explicou um especialista em agricultura local.

Futuro incerto para os agricultores

Mais de um ano após a tragédia, muitos produtores ainda lutam para reerguer suas atividades. Seguros agrícolas e auxílios governamentais têm sido essenciais, mas insuficientes para cobrir todos os danos. A reconstrução não se limita ao solo: galpões, cercas e equipamentos precisam ser repostos, e a confiança dos consumidores precisa ser reconquistada.

Runion, que planejava diversificar sua renda com o campground, agora enfrenta um novo desafio: recuperar a confiança dos turistas e investidores. "Levará tempo, mas não desistiremos. Nossa terra é nossa vida", afirmou.