A Fox anunciou, durante uma teleconferência de resultados na segunda-feira (12), que irá transmitir duas partidas nacionais adicionais da NFL em 2026, ampliando seu pacote de transmissões da liga. No entanto, o CEO Lachlan Murdoch minimizou quaisquer tensões com a NFL, afirmando que 'não há realmente tensão alguma' com a entidade.
A declaração de Murdoch surge em um momento de crescente pressão política e midiática contra a liga. Seu pai, Rupert Murdoch, tem liderado uma campanha crítica aos acordos de transmissão da NFL, argumentando que a migração de jogos para plataformas de streaming poderia 'acabar com as redes de televisão'. Em fevereiro, Rupert teria dito ao ex-presidente Donald Trump que a estratégia da NFL de priorizar o streaming poderia prejudicar os modelos tradicionais de transmissão.
O Wall Street Journal, jornal de propriedade da família Murdoch, publicou um editorial questionando por que a NFL ainda merece uma isenção antitruste para suas transmissões. Antes mesmo da publicação, a liga suspeitava que o grupo Murdoch estivesse por trás de uma ofensiva federal para revisar os limites dessa isenção, especialmente após a venda de jogos para plataformas pagas.
A polêmica ganhou ainda mais destaque no domingo, quando o ex-presidente Trump abordou o tema em um discurso, criticando o custo do streaming para os torcedores. Embora suas afirmações tenham sido imprecisas — ele alegou que os fãs pagam 'US$ 1 mil por partida' para assistir à NFL —, a mensagem reforçou a atenção do governo sobre o assunto.
Após uma segunda-feira repleta de desdobramentos, Joe Flint, colunista do Wall Street Journal, sugeriu em uma publicação no X (antigo Twitter): 'Certamente não há correlação' entre a investigação do Departamento de Justiça sobre a Lei de Transmissão Esportiva e as críticas à migração de jogos para plataformas digitais, além das recentes negociações da NFL com as redes.
Por trás das declarações, no entanto, está uma disputa comercial mais profunda. As redes — incluindo Fox, CBS, NBC, Amazon e YouTube — buscam reajustes significativos nos valores dos contratos de transmissão, que vão até 2029 para a maioria e até 2030 para ESPN/ABC. O movimento reflete a crescente valorização dos direitos de transmissão, impulsionada pelos recentes acordos bilionários da NBA.
A expansão da Fox para 2026 não resolve a questão central: a NFL pode optar por transferir seus pacotes de transmissão para plataformas de streaming, caso as redes não aceitem suas novas exigências. Assim, embora Lachlan Murdoch afirme não haver tensões, a realidade sugere um cenário de negociações tensas e estratégias conflitantes entre a liga e seus parceiros tradicionais.