O sonho de revitalização com impressão 3D

Em agosto de 2024, autoridades estaduais e municipais de Cairo, no sul de Illinois, comemoraram o início das obras de um duplex impresso em 3D — um projeto considerado histórico para a cidade. No entanto, o que parecia ser o começo de uma revolução habitacional na região terminou em abandono e prejuízos.

Na época, a cidade, com menos de 2 mil habitantes majoritariamente negros, enfrentava décadas de declínio econômico e falta de moradias adequadas. Dois empresários locais, donos da Prestige Project Management Inc., haviam fechado um acordo para construir 30 duplexes, usando uma impressora 3D de construção avaliada em US$ 1,1 milhão.

O equipamento chegou à cidade e foi montado em um terreno vazio na esquina da 17th Street com a Dr. Martin Luther King Jr. Avenue. A cerimônia de inauguração contou com mais de 100 pessoas, incluindo moradores como Kaneesha Mallory, que sonhava com um quarto para sua filha de 6 anos, que morava em um apartamento público superlotado.

"Era para ser apenas o começo. A cidade precisava disso há décadas." — Thomas Simpson, prefeito de Cairo

O projeto foi chamado de "extraordinário" por políticos locais, como o senador estadual Dale Fowler, que representava uma das regiões mais pobres de Illinois. Fowler, cujo distrito incluía áreas com extrema carência habitacional, havia angariado US$ 40 mil para ajudar no evento.

O colapso do projeto

Em menos de um mês, as paredes do duplex foram erguidas pela impressora 3D. As obras prosseguiram durante a noite para evitar o calor intenso. No entanto, os proprietários interromperam os trabalhos antes da conclusão, alegando que haviam encontrado dezenas de rachaduras nas paredes e precisavam verificar a estrutura.

A impressora desapareceu. Um ano depois, o duplex permaneceu inacabado, abandonado em um terreno baldio ao longo de uma estrada desértica. Enquanto isso, os moradores continuavam à espera de uma solução habitacional.

O mistério do depósito perdido

Antes de chegar a Cairo, os donos da Prestige haviam perdido cerca de US$ 590 mil como depósito para a compra de outra impressora 3D, cancelada posteriormente. A origem desses recursos e o destino da impressora original permanecem desconhecidos, levantando suspeitas sobre o destino dos investimentos.

Investigações posteriores revelaram que a empresa enfrentava problemas financeiros e que os sócios haviam feito empréstimos em um pequeno banco local para financiar o projeto. Com o fracasso do empreendimento, muitos questionam se os recursos foram mal aplicados ou se houve irregularidades.

O que dizem as autoridades?

Até o momento, não há informações oficiais sobre o andamento das investigações. A prefeitura de Cairo não retornou pedidos de comentários, e o FBI, que teria sido acionado para apurar possíveis irregularidades, não divulgou detalhes.

Enquanto isso, moradores como Mallory seguem esperando por respostas e por uma solução para a crise habitacional que aflige a cidade há décadas.

O legado do projeto fracassado

  • Investimento perdido: US$ 1,1 milhão em equipamentos e obras não resultaram em moradias.
  • Falta de transparência: Depósito de US$ 590 mil desapareceu sem explicações claras.
  • Impacto social: Famílias continuam em condições precárias, sem perspectivas de melhoria.
  • Investigação em andamento: FBI pode estar apurando possíveis irregularidades no caso.