O Irã apresentou uma proposta para suspender o bloqueio do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de exportação de petróleo do mundo, sem abordar seu programa nuclear. Segundo dois oficiais regionais que participaram das negociações sigilosas, a condição inclui o fim do bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos ao país.

Os detalhes da proposta foram revelados nesta segunda-feira (12), mas os oficiais pediram anonimato para discutir o assunto. Enquanto isso, os preços do petróleo subiram, refletindo a tensão persistente entre Washington e Teerã, mesmo após um cessar-fogo.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, esteve em Moscou nesta segunda-feira para uma reunião com o presidente russo, Vladimir Putin. A viagem também incluiu paradas no Paquistão e em Omã, país que compartilha o estreito com o Irã.

Mediadores liderados pelo Paquistão tentam reduzir as diferenças entre os EUA e o Irã. Um oficial regional envolvido nas negociações afirmou, sob condição de anonimato, que há lacunas significativas a serem superadas.

O presidente dos EUA, Donald Trump, cancelou a viagem de seus principais negociadores a Islamabad no fim de semana após o Irã insistir que Washington deve suspender o bloqueio de seus portos antes de qualquer nova rodada de diálogos.

Segundo o Comando Central dos EUA, até o momento, 38 navios foram impedidos de prosseguir devido ao bloqueio. Desde o início do conflito, os confrontos já resultaram em milhares de mortes: pelo menos 3.375 no Irã e 2.509 no Líbano, onde os combates entre Israel e o Hezbollah foram retomados dois dias após o início da guerra.

Além disso, 23 pessoas morreram em Israel e mais de uma dezena nos países árabes do Golfo. No Líbano, foram registradas 15 mortes de soldados israelenses, 13 militares dos EUA na região e seis capacetes azuis da ONU, que atuavam no sul do país.