Governador de Louisiana suspende eleições primárias e enfrenta ações judiciais
O governador republicano de Louisiana, Jeff Landry, foi alvo de múltiplas ações judiciais nas primeiras 24 horas após anunciar a suspensão das eleições primárias estaduais. A decisão visa permitir que os republicanos redesenhem os distritos congressionais de forma favorável, após a Suprema Corte ter enfraquecido o Voting Rights Act no caso Louisiana v. Callais.
Organizações de direitos civis entram com ações judiciais
Na sexta-feira, várias organizações de direitos civis, incluindo a ACLU, a seção da Louisiana da NAACP e o Conselho Nacional de Mulheres Judias, moveram ações judiciais para bloquear a decisão de Landry de suspender as eleições primárias de 16 de maio.
Em um dos processos, movido pela ACLU, NAACP e outros grupos, argumenta-se que, segundo a lei da Louisiana, a competência para definir o calendário eleitoral cabe à assembleia legislativa, não ao governador ou ao secretário de Estado. O documento destaca que as cédulas já haviam sido enviadas a eleitores militares e no exterior há um mês, conforme exigido por lei federal, e que outros eleitores já haviam recebido cédulas pelo correio quase uma semana antes da suspensão.
"Segundo a lei da Louisiana, a assembleia legislativa, e não o governador ou o secretário de Estado, define o calendário eleitoral do estado. No entanto, o governador Jeff Landry, auxiliado pela secretária de Estado Nancy Landry, tentou unilateralmente cancelar as eleições primárias congressionais de 2026 da Louisiana, mesmo após o processo já ter começado. Muitos eleitores — incluindo os autores deste processo — já haviam votado."
Suprema Corte e prazos eleitorais
O processo também cita decisões anteriores da Suprema Corte para argumentar que Landry não pode alterar os mapas eleitorais tão próximo ao pleito. Segundo o documento, a Corte já determinou que, quando as eleições estão prestes a começar — e, neste caso, já começaram —, o estado deve prosseguir com os mapas vigentes, corrigindo eventuais irregularidades apenas em eleições futuras.
Outra ação judicial alega violação de direitos constitucionais
Landry já havia sido alvo de outra ação judicial na quinta-feira, movida pela candidata democrata à Câmara, Lindsay Garcia. Ela argumentou que a suspensão das eleições viola a Primeira, Décima Quarta e Décima Quinta Emendas da Constituição dos EUA, que protegem direitos de expressão, igualdade e sufrágio.
Contexto político e reações
A decisão de Landry é vista como mais um esforço do Partido Republicano para impor seus próprios mapas congressionais, mesmo que isso resulte em desproporcional desvantagem para eleitores negros e latinos. Especialistas e ativistas preveem que novas ações judiciais devem surgir nos próximos dias, tanto de grupos progressistas quanto de conservadores.