Meta aposta em energia solar espacial para alimentar data centers

A Meta anunciou um acordo pioneiro com a startup Overview Energy, garantindo acesso antecipado a até 1 gigawatt de energia solar espacial até 2030. A parceria visa fornecer energia limpa e contínua para data centers, superando limitações terrestres como intermitência e restrições de espaço.

Como funciona a energia solar espacial?

A tecnologia da Overview Energy utiliza lasers de alta eficiência para transmitir energia solar diretamente do espaço para matrizes solares terrestres. Diferente dos sistemas convencionais, essa abordagem permite direcionar o feixe de energia para qualquer local do mundo com base na demanda, um conceito chamado de "desatrelamento geográfico".

Segundo a empresa, os lasers conseguem converter luz infravermelha próxima em eletricidade com eficiência superior à da luz solar direta. A meta é atingir custos entre $60 e $100 por megawatt-hora até 2035, com capacidade de fornecer gigawatts de energia solar espacial para a rede elétrica.

Por que a Meta está investindo nessa tecnologia?

Data centers exigem energia constante e de alta capacidade, algo que a energia solar terrestre convencional não pode garantir sozinha devido à intermitência noturna e condições climáticas. A energia solar espacial, por outro lado, oferece uma solução 24/7, sem depender de baterias ou armazenamento.

Além disso, a tecnologia contorna duas grandes limitações terrestres: uso de terras e os longos prazos de conexão à rede. A Overview Energy já reservou um lançamento com a SpaceX para 2028, com demonstrações orbitais previstas para o mesmo ano.

Outras inovações em clima e energia renovável

Enquanto a energia solar espacial ganha destaque, outras tecnologias climáticas também avançam:

1. Fusão nuclear: Zap Energy migra para fissão

A startup Zap Energy, focada em fusão nuclear, anunciou uma mudança estratégica para o setor de fissão nuclear, considerado mais maduro e próximo da comercialização. A decisão reflete os desafios enfrentados pelos fundos de venture capital em estágio inicial no atual ambiente de captação de recursos.

2. Modificação do clima: empresa quantifica impacto do 'semeio de nuvens'

Uma empresa de modificação do clima afirmou ter desenvolvido uma metodologia para quantificar o impacto do semeio de nuvens, prática usada há cerca de 80 anos para induzir chuva. A técnica, que soa como ficção científica, é aplicada há décadas, mas agora ganha novas perspectivas com dados mais precisos.

3. Baterias de sódio-ion: avanços em meio a decepções com outras químicas

Em um cenário de decepções com outras químicas de bateria, o setor de baterias de sódio-ion registrou múltiplos avanços nesta semana. A tecnologia promete ser mais barata e sustentável do que as baterias de lítio, com potencial para revolucionar o armazenamento de energia.

"São 17 horas em algum lugar do mundo. Você é lucrativo a $100 por megawatt-hora o tempo todo, instantaneamente."
Marc Berte, fundador e CEO da Overview Energy

Desafios e perspectivas da energia solar espacial

Embora a física por trás da energia solar espacial seja viável, a economia e a logística ainda são pontos de interrogação. No entanto, a queda nos custos de lançamento e o interesse de grandes empresas como a Meta podem impulsionar o setor.

A Overview Energy já levantou $20 milhões em rodada semente, liderada por Lowercarbon Capital, Prime Movers Lab e outros investidores. Com um cronograma ambicioso — demonstrações orbitais em 2028 e entrega comercial em 2030 — a empresa busca provar que a energia solar espacial pode ser mais do que uma ideia de ficção científica.