A MicroStrategy (MSTR), empresa conhecida por sua estratégia agressiva de acumulação de Bitcoin, anunciou que interrompeu temporariamente suas compras da criptomoeda antes do lançamento de seu balanço do primeiro trimestre. A pausa, que durou apenas dois dias, coincidiu com um movimento positivo no mercado, impulsionando a ação a registrar alta superior a 10% em dois dias.

Segundo o presidente do conselho, Michael Saylor, a empresa decidiu não realizar novas aquisições de Bitcoin nesta semana, retomando os investimentos na semana seguinte. Essa foi apenas a segunda pausa no programa de acumulação em 2024, que já adquiriu mais de 818 mil Bitcoins — cerca de 3,9% da oferta total da moeda. A última compra, realizada em março, envolveu 3.273 BTC a um preço médio de US$ 77.900.

O anúncio ocorreu às vésperas da divulgação do balanço do primeiro trimestre, prevista para esta terça-feira. Analistas projetam receita próxima a US$ 125 milhões, um crescimento em relação aos US$ 111,1 milhões registrados no mesmo período do ano passado. No entanto, as estimativas indicam prejuízo por ação, devido aos custos de financiamento e contabilização relacionados ao Bitcoin.

O preço do Bitcoin, que superou US$ 80 mil nas primeiras horas da segunda-feira, contribuiu para o desempenho positivo da MSTR, que subiu 3% no pré-mercado. Nos últimos dois dias, a ação acumula alta superior a 10%.

A pausa nas compras pode refletir uma estratégia cautelosa antes do balanço, mas também sinaliza uma mudança no foco da empresa. Nos últimos anos, a MicroStrategy deixou de ser vista como uma empresa de software com uma posição em Bitcoin para se tornar um veículo de financiamento voltado para converter a demanda do mercado em exposição à criptomoeda.

Esse novo modelo depende do acesso contínuo a capital por meio da emissão de ações comuns e preferenciais, incluindo o instrumento STRC (Strategic Total Return Convertible). O STRC, lançado recentemente, tem como alvo um preço de US$ 100 por ação e oferece um dividendo variável de cerca de 11,5% ao ano. No entanto, analistas destacam riscos assimétricos: os investidores recebem renda atrelada ao balanço da empresa, mas estão expostos a perdas caso o preço do Bitcoin caia ou a demanda pelas ações enfraqueça.

A valorização da ação também acompanha o otimismo gerado pela apresentação de Saylor na Bitcoin 2026 Conference, realizada em Las Vegas na semana passada. Em vez de focar em previsões de preço do Bitcoin ou novas compras, Saylor destacou o STRC como uma inovação capaz de conectar o mercado de crédito tradicional ao ecossistema Bitcoin.

“O mercado global de crédito, avaliado em US$ 300 trilhões, representa uma oportunidade muito maior do que os US$ 2 trilhões do mercado de Bitcoin. A MicroStrategy desenvolveu o primeiro produto para integrar esses dois mundos”, afirmou Saylor durante o evento. O STRC, que paga dividendos mensais de 11,5% e é negociado na Nasdaq, já atingiu US$ 8,5 bilhões em valor nocional em menos de nove meses — um volume maior, segundo Saylor, do que todo o universo de títulos preferenciais com pagamento mensal combinado. “Isso está viralizando”, declarou ele à plateia.

A estratégia tem atraído atenção de grandes players. O BlackRock’s iShares Preferred Income Securities ETF, por exemplo, já possui uma posição de aproximadamente US$ 210 milhões no STRC. Saylor também revelou que o instrumento financiou a aquisição de cerca de 77 mil Bitcoins desde seu lançamento.