Netanyahu e a sombra de Orbán: semelhanças que preocupam

O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu enfrenta um cenário político cada vez mais instável, com acusações de corrupção e tentativas de minar instituições democráticas. Especialistas como Yonatan Levi, pesquisador do centro-esquerda think tank Molad, comparam seu governo ao do primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán, derrotado recentemente nas eleições.

Levi, que viajou à Hungria para estudar a campanha de Péter Magyar contra Orbán, afirma que Israel ainda não é uma "Hungria do Oriente Médio", mas está caminhando nessa direção. "A democracia israelense não está perdida, mas as instituições estão sendo enfraquecidas de forma alarmante", disse ele.

Oposição se mobiliza contra Netanyahu

A campanha da oposição israelense tem como foco principal a defesa da democracia, em contraste com a política externa de Netanyahu, que é amplamente rejeitada internacionalmente devido à guerra em Gaza e à postura agressiva contra o Irã. Internamente, os eleitores estão preocupados com a concentração de poder e a perseguição a minorias e ativistas de esquerda.

Entre as principais críticas ao governo de Netanyahu estão:

  • Nomeação de aliados para cargos estratégicos, inclusive nos serviços de segurança;
  • Perseguição à minoria árabe em Israel;
  • Perseguição a ativistas de esquerda;
  • Propostas legislativas para submeter o Judiciário ao controle do Executivo;
  • Processo judicial por corrupção, com acusações de troca de favores regulatórios por cobertura midiática positiva.

Trump e a possível anistia

O ex-presidente dos EUA, Donald Trump, tem pressionado o presidente israelense Isaac Herzog, figura mais cerimonial, a conceder anistia a Netanyahu. Essa relação próxima entre os dois líderes reforça a comparação com Orbán, que governou a Hungria por quase 20 anos com estratégias semelhantes.

"Nunca vi uma eleição estrangeira ser coberta tão de perto na imprensa israelense — exceto as eleições americanas."

— Yonatan Levi, pesquisador do Molad

Cenário eleitoral: Netanyahu pode perder o poder?

As eleições em Israel devem ocorrer até outubro de 2025. Pesquisas recentes indicam que Netanyahu perderia a maioria parlamentar se o pleito fosse realizado hoje. No entanto, dois fatores complicam o cenário:

  • A ocupação dos territórios palestinos: A população palestina na Cisjordânia vive sob ocupação militar israelense, sem direito a voto nas eleições israelenses, mas sujeita às leis impostas pelo Exército;
  • A polarização política: Netanyahu mantém forte apoio entre setores conservadores e religiosos, que representam uma parcela significativa do eleitorado.

O que esperar do futuro político de Netanyahu?

Apesar das pressões, Netanyahu continua resistindo, contando com o apoio de aliados internacionais e setores da sociedade israelense. No entanto, a crescente mobilização da oposição e a insatisfação popular sugerem que seu governo pode estar com os dias contados. Se as tendências atuais se confirmarem, ele poderia se tornar o próximo líder de direita alinhado a Trump a perder o poder, seguindo o exemplo de Orbán na Hungria.

Enquanto isso, a comunidade internacional observa com atenção, temendo que a erosão da democracia em Israel possa ter consequências regionais e globais.

Fonte: Vox