O The New York Times enviou um comunicado aos seus colaboradores freelancers nesta terça-feira (16) reforçando as regras da empresa sobre o uso de inteligência artificial (IA) em seus trabalhos. O e-mail, classificado como um "lembrete periódico", esclareceu que todo o conteúdo — texto ou imagem — enviado ao jornal deve ser produzido exclusivamente por seres humanos.

A mensagem, obtida pela Futurism, destaca que os freelancers não podem submeter materiais que contenham qualquer tipo de conteúdo gerado, modificado ou aprimorado por ferramentas de IA generativa. Além disso, proíbe o uso de plataformas como ChatGPT, Gemini, Claude, Perplexity, geradores de imagens como DALL-E, MidJourney e Adobe Firefly, e até mesmo ferramentas de busca com IA, como o Google AI Overviews.

A política da empresa permite apenas o uso de IA para "brainstorming de alto nível", mas proíbe categoricamente o uso dessas ferramentas para escrever, editar, melhorar ou reescrever qualquer parte de uma reportagem. "O uso de ferramentas de IA para criar, rascunhar, orientar, limpar, editar, aprimorar ou parafrasear seu texto é estritamente proibido", afirmou o comunicado.

Incidentes recentes reforçam a proibição

O lembrete chega em um momento em que o jornal enfrenta críticas após uma série de erros envolvendo conteúdo gerado por IA. Em março, um colaborador da coluna "Modern Love" foi acusado publicamente de usar IA para produzir um ensaio pessoal emocional. A escritora admitiu, em entrevista à Futurism, que utilizou chatbots para conceituar e editar o texto.

Em abril, o jornal demitiu um freelancer que confessou ter usado IA para criar uma resenha de livro, que foi posteriormente identificada como plagiada. Além disso, na semana passada, o The New York Times publicou uma correção substancial em um artigo assinado pelo chefe da sucursal do Canadá, após descobrir que uma citação atribuída a um político era, na verdade, um resumo gerado por IA.

"Um artigo publicado em 15 de abril sobre o sucesso de Mark Carney, primeiro-ministro liberal do Canadá, em construir alianças bipartidárias, foi atualizado após o jornal descobrir que uma fala atribuída a Pierre Poilievre, líder da oposição conservadora, era, na verdade, um resumo gerado por IA sobre suas visões políticas, apresentado como uma citação. O repórter deveria ter verificado a precisão do que a ferramenta de IA retornou."

Esses episódios levantam dúvidas sobre a frequência desses lembretes e se a atual comunicação está diretamente relacionada aos recentes escândalos envolvendo IA no jornal. A redação entrou em contato com o The New York Times, mas não obteve resposta imediata.

Fonte: Futurism