A Nexstar Media Group optou por não apresentar projeções financeiras de longo prazo para investidores durante seu balanço do primeiro trimestre, após a fusão de US$ 6,2 bilhões com a Tegna ser suspensa por decisão judicial.

A operação, que havia sido aprovada pela FCC (Federal Communications Commission) e pelo Departamento de Justiça dos EUA em março, foi paralisada por um juiz federal. A decisão atendeu a um pedido da DirecTV e de um grupo de procuradores-gerais estaduais, que argumentaram que a fusão poderia reduzir a concorrência e violar leis antitruste.

O magistrado emitiu uma liminar preliminar, obrigando as duas empresas a manterem suas operações separadas até que o caso seja resolvido na Justiça. Durante a teleconferência de resultados, a diretora financeira da Nexstar, Lee Ann Gilha, afirmou que a situação é inédita e repleta de incertezas.

“Diante do atual cenário, operacionalmente, estamos em uma posição sem precedentes, com a ordem judicial vigente até que possamos ser ouvidos pelo tribunal de apelações, irmos a julgamento ou resolvermos o caso”, declarou Gilha. “Diante do número de variáveis, é compreensível que, por enquanto, as orientações prospectivas sejam limitadas. Sabemos que o mercado não gosta de incertezas, então faremos nosso melhor para manter todos atualizados dentro das limitações impostas.”

O CEO da Nexstar, Perry Sook, confirmou que a empresa já recorreu da decisão ao Nono Circuito de Apelações dos EUA, enquanto o processo segue para julgamento no Tribunal Distrital do Leste da Califórnia. Além disso, a Nexstar contratou a advogada Beth Wilkinson, que atuou como principal representante legal da NFL no caso antitruste envolvendo o Sunday Ticket.

Há ainda outro desafio em andamento: a Corte de Apelações do Circuito de DC analisa um recurso contra a aprovação da fusão pela FCC. O tribunal negou um pedido de suspensão emergencial, alegando falta de jurisdição. A Nexstar e a FCC devem apresentar suas defesas até 11 de maio.

Apesar da consolidação no setor, Sook argumentou que a Nexstar ainda tem uma presença limitada em comparação a gigantes da tecnologia e mídia nacional. “Operamos com uma fração de seu alcance ubíquo e recursos financeiros, o que nos impede de competir em igualdade de condições”, afirmou. Segundo ele, a fusão com a Tegna é essencial para fortalecer o futuro da empresa e sua capacidade de oferecer serviços valiosos às comunidades locais nos EUA.

“Acreditamos que venceremos o caso com base nos méritos. Confiamos em nossos argumentos, detalhados no parecer da FCC que aprovou a transação, de que uma indústria de radiodifusão local mais forte e financeiramente resiliente é do interesse público”, declarou Sook aos analistas. “Esta é uma luta que vale a pena travar por nós, pela nossa indústria e pelo futuro do jornalismo local.”

Originalmente, a fusão previa que a Nexstar passaria a controlar 265 estações de televisão em 44 estados e no Distrito de Columbia, atingindo 80% dos lares americanos com TV. A operação também incluiria afiliadas das principais redes (Big Four) em cidades como Phoenix, Atlanta, Toledo e Portland, além de estações em nove das dez maiores regiões metropolitanas do país.

Fonte: The Wrap