A Nvidia está apoiando uma iniciativa pioneira da empresa californiana Span para instalar mini-data centers ao lado de residências, disfarçados de unidades de HVAC (sistemas de climatização). A estratégia busca resolver um dos maiores gargalos da expansão de data centers: a limitação da rede elétrica, não a falta de recursos financeiros ou componentes.
A ideia central é aproveitar a energia elétrica já disponível nas casas, mas pouco utilizada. Segundo a Span, uma residência comum consome apenas 42% da energia alocada, raramente atingindo o pico de demanda. Com caixas inteligentes de utilidade pública, a empresa redireciona o excedente para GPUs alojadas em nós computacionais instalados ao lado das casas. Cada unidade contém 16 GPUs da Nvidia, 4 CPUs da AMD, 4 terabytes de memória e um sistema de resfriamento.
Quando implantados em larga escala, esses nós podem ser interconectados em uma rede para realizar tarefas de computação distribuída, como processamento de IA ou chatbots. Em troca, a Span cobre grande parte da conta de luz e internet do proprietário. Além disso, a proximidade com os usuários finais pode melhorar a latência em serviços de IA.
Desafios e incertezas da proposta
Ainda que a proposta seja promissora no papel, sua aplicação prática ainda é incerta. Até agora, a Span não instalou nenhuma unidade em residências reais, apenas protótipos. Em entrevista à CNBC, Chris Lander, vice-presidente da empresa, afirmou que foram realizados estudos técnicos internos e modelagens para avaliar a viabilidade de diferentes cargas de trabalho. No entanto, não há dados públicos que comprovem a eficiência e robustez do sistema em ambientes reais.
A empresa está em parceria com a construtora Pulte Homes para instalar os nós em novas residências. Até o momento, apenas uma unidade foi instalada em um imóvel em Atlanta, nos Estados Unidos. A Span planeja lançar um piloto com mais de 100 nós até o final de 2024, mas não divulgou local ou data específica.
Riscos e resistência à implementação
Um dos principais obstáculos para a expansão de data centers é o receio de que eles aumentem os custos de energia para a comunidade local. Seja um data center centralizado ou uma rede distribuída como a proposta pela Span, o aumento da demanda energética pode sobrecarregar a infraestrutura elétrica, elevando as contas de luz e acelerando o desgaste de transformadores e outros componentes.
Lander, no entanto, discorda dessa preocupação. Segundo ele, a abordagem da Span não só evita esse problema como pode até reduzir custos a longo prazo. "Acreditamos que, na verdade, isso vai", afirmou, sem concluir a frase na entrevista.