Os debates sobre games na internet nunca foram perfeitos, mas havia algo especial nos anos 2000. Naquela época, as discussões sobre lançamentos eram intensas, mas também mais equilibradas. Hoje, parece que o tom mudou: as conversas são mais polarizadas, menos construtivas e, muitas vezes, tomadas por ódio gratuito.
Em novembro de 2001, um jovem jogador tentava escapar da tensão política e militar que dominava a televisão com Metal Gear Solid 2: Sons of Liberty, lançado recentemente. O jogo era uma obra-prima técnica, mas não agradou a todos. As reações na internet foram duras, especialmente porque a campanha de marketing prometia Solid Snake como protagonista, mas o jogador passava a maior parte do tempo controlando Raiden, um personagem novo e controverso.
As críticas, no entanto, eram razoáveis. Muitos jogadores reclamavam que se sentiam enganados, mas o tom das discussões não chegava ao nível de acusações de traição ou campanhas de ódio coordenadas, como vemos hoje. Na época, o máximo de vitríolo era chamar Raiden de "afeminado" ou reclamar que ele não era tão legal quanto Snake.
"Naquele tempo, os jogadores discutiam games com paixão, mas também com respeito. Hoje, o debate parece mais uma batalha campal do que uma conversa."
Compare isso com os dias atuais. Jogos como Starfield ou Baldur’s Gate 3 são alvos de campanhas de ódio coordenadas por IA simplesmente porque têm personagens principais que não são homens brancos heterossexuais. O termo "woke" é usado como arma, mas, na maioria das vezes, se refere a algo tão simples quanto um ator britânico de origem indiana interpretar o protagonista de um game.
Metal Gear Solid 2, por exemplo, não sofreria tanto com esse tipo de crítica. Afinal, o jogo tem protagonistas brancos e fortes, um mundo repleto de militarismo americano e estética anime, o que, para muitos, mascara sua crítica anti-capitalista e complexa. Hideo Kojima sempre foi um mestre em contar histórias profundas, mesmo que nem todos tenham percebido isso na época.
Não levou 25 anos para entender por que Metal Gear Solid 2 dividiu tanto os fãs. Muitos dos críticos iniciais, assim como os jogadores de hoje, acabaram se rendendo ao jogo depois de jogá-lo. A diferença é que, naquela época, havia espaço para o debate. As pessoas conversavam, discordavam, mas também aprendiam umas com as outras.
Hoje, parece que essa troca de ideias desapareceu. Os jovens gamers podem não entender por que Metal Gear Solid 2 é considerado ao mesmo tempo o jogo mais estúpido e mais inteligente de todos os tempos. A resposta está na forma como as discussões evoluíram — ou, melhor dizendo, regrediram.
E o mais preocupante é que as pessoas no poder não querem que isso mude. Elas preferem manter os gamers divididos, alimentando uma cultura de inimigos imaginários em vez de promover um debate saudável.
Curiosamente, um jogo previu tudo isso há muito tempo. Você consegue adivinhar qual é?
Se você está em busca de um game de 25 anos que ainda faz sentido hoje, Metal Gear Solid 2 é uma ótima opção. Não só pela nostalgia, mas porque ele representa uma época em que os games eram discutidos com paixão, mas também com respeito.