O presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, anunciou nesta quarta-feira (17) que permanecerá no Conselho da instituição após o término de seu mandato como presidente, em 15 de maio, "por um período a ser definido". Segundo Powell, os "ataques sem precedentes" da administração Trump à independência do banco central colocam em risco a estabilidade econômica do país.

Em coletiva após a decisão do Fed de manter a taxa básica de juros inalterada, Powell afirmou:

"Preocupa-me que esses ataques estejam prejudicando esta instituição e colocando em risco aspectos fundamentais para o público."

Esta será a primeira vez desde 1948 que um presidente do Fed permanece no Conselho como governador após deixar o cargo. A decisão de Powell impede que o presidente Donald Trump nomeie um novo membro para o colegiado de sete integrantes do Fed.

O Senado já havia aprovado, em votação partidária, Kevin Warsh — indicado por Trump — como sucessor de Powell. Se confirmado, Warsh ocupará a vaga deixada por Stephen Miran, cujo mandato terminou em janeiro. Economistas avaliam que a permanência de Powell pode atrasar os cortes de juros defendidos por Trump e por Warsh.

Investigação sobre reformas do Fed

A procuradora-geral do Distrito de Columbia, Jeanine Pirro, anunciou na sexta-feira (12) que sua equipe encerraria a investigação sobre as reformas do prédio do Fed, transferindo o caso para o inspetor-geral da instituição. No entanto, Pirro afirmou que poderia reabrir o inquérito se "os fatos justificarem". Anteriormente, ela havia recorrido de uma decisão judicial que anulou intimações emitidas por sua equipe.

Powell declarou que o Departamento de Justiça garantiu que o recurso não reabriria a investigação, a menos que o inspetor-geral do Fed encontrasse indícios de atividade criminosa. Mesmo assim, o presidente do Fed afirmou não se sentir seguro:

"Estou aguardando que a investigação seja concluída com transparência e definitividade. Só então deixarei o cargo quando julgar apropriado."

Fed mantém juros e sinaliza cortes futuros

Na mesma decisão, o Fed manteve a taxa básica de juros inalterada pela terceira vez consecutiva, mas indicou que cortes podem ocorrer nos próximos meses. A medida gerou o maior número de dissidências desde outubro de 1992, com três membros defendendo a remoção da previsão de corte futuro e um quarto, Miran, pedindo um corte imediato.

As dissidências refletem as divisões internas no Comitê de Política Monetária do Fed, composto por 12 membros, às vésperas do fim do mandato de Powell. Em comunicado, o Fed destacou que "desenvolvimentos no Oriente Médio aumentam a incerteza sobre as perspectivas econômicas" e que "a inflação permanece elevada".