Estratégia de Trump para matar a energia eólica offshore
As tentativas do presidente Donald Trump de eliminar a indústria de energia eólica offshore por meio de regulamentações têm enfrentado derrotas judiciais. No entanto, a administração agora busca um novo caminho: oferecer bilhões de dólares para que desenvolvedores abandonem contratos de leasing no mar. Essa estratégia, que já foi aplicada com sucesso limitado, agora se volta para o setor de energia eólica onshore, com mais de 150 projetos paralisados pela recusa do Departamento de Defesa em conceder aprovações rotineiras.
Mesmo que os projetos não estejam próximos a bases militares ou infraestrutura de defesa, a burocracia tem impedido o avanço. Especialistas alertam que a tática visa criar um ambiente de insegurança jurídica para inviabilizar o setor. "Esta é a estratégia para matar uma indústria perdendo todos os casos: continuar atacando até que ela não consiga sobreviver", declarou um advogado de energia ao Heatmap.
Pressão política e jurídica contra os acordos milionários
Em março, a gigante francesa TotalEnergies aceitou a proposta de Trump de receber US$ 1 bilhão para desistir de dois projetos de energia eólica offshore. Na época, a medida parecia um marco na estratégia do governo para enfraquecer o setor. No entanto, a decisão rapidamente gerou reações negativas.
Investigações revelaram que o acordo não exigia novos investimentos em combustíveis fósseis, como alegado pela administração. Além disso, havia dúvidas se o pagamento cumpria os requisitos para ser retirado de fundos federais destinados a acordos judiciais. Em abril, a Câmara dos Deputados dos EUA anunciou uma investigação sobre o contrato com a TotalEnergies.
Na semana passada, reguladores da Califórnia abriram uma sindicância sobre um projeto flutuante de energia eólica offshore, o primeiro do tipo na costa oeste dos EUA, que também aceitou o acordo com Trump. Agora, um dos maiores fundos de pensão dos EUA, o New York State Common Retirement Fund, anunciou que reavaliará sua participação de US$ 1,6 milhão na TotalEnergies. Em carta ao CEO Patrick Pouyanné, o fundo citou "preocupações significativas" com a decisão da empresa de cancelar os projetos e reforçar sua aposta em combustíveis fósseis.
Consequências para o setor energético e o meio ambiente
Os especialistas destacam que os atrasos e cancelamentos de projetos de energia renovável prejudicam os esforços dos EUA para reduzir emissões e atender à crescente demanda por eletricidade, impulsionada por data centers e eletrificação. Enquanto isso, a estratégia de Trump enfrenta resistência em múltiplos fronts, desde o Judiciário até o mercado financeiro.
"A tática não é apenas ilegal, mas também contraproducente. Os EUA estão perdendo a oportunidade de liderar a transição energética global enquanto desperdiçam recursos em manobras políticas."
O que vem pela frente?
- Investigações em andamento nos EUA e na Califórnia sobre os acordos com a TotalEnergies;
- Avaliação de fundos de pensão sobre suas participações em empresas que aceitaram os termos de Trump;
- Possíveis ações judiciais contra a legalidade dos pagamentos oferecidos pelo governo;
- Impacto nos planos de expansão da energia eólica nos EUA, que poderiam sofrer atrasos significativos.