Um novo estudo publicado na revista Nature Sustainability alerta que Nova Orleans atingiu um "ponto de não retorno" e será completamente cercada pelo oceano ainda neste século devido à crise climática. A pesquisa, baseada em comparações com períodos históricos de aquecimento global, projeta que a cidade poderá estar submersa antes de 2100.
A combinação de elevação do nível do mar, erosão acelerada de wetlands e afundamento da costa — agravado pela exploração de petróleo e gás — ameaça tornar a região inabitável em poucas gerações. Segundo o estudo, o litoral da Louisiana pode recuar até 100 km para o interior, isolando não apenas Nova Orleans, mas também Baton Rouge.
Os pesquisadores classificam a costa sul da Louisiana como a zona costeira mais vulnerável do mundo. A população de Nova Orleans, atualmente com cerca de 360 mil habitantes, enfrenta um futuro incerto, com tendências de êxodo acelerado caso nenhuma medida seja tomada.
"Embora a mitigação climática deva ser a primeira prioridade, a Louisiana costeira já cruzou o ponto de não retorno", afirmou um dos autores do estudo, um artigo de perspectiva que não apresenta novos dados, mas faz uma avaliação crítica. O texto reforça a necessidade de planejar a realocação imediata da população para áreas seguras.
Desde o furacão Katrina, em 2005, bilhões de dólares foram investidos em barragens, comportas e sistemas de bombeamento para proteger Nova Orleans. No entanto, os autores do estudo destacam que essas estruturas, já necessitando de grandes reformas, não serão suficientes a longo prazo.
Jesse Keenan, especialista em adaptação climática da Universidade Tulane e coautor do estudo, foi categórico:
"Em termos paleoclimáticos, Nova Orleans já está condenada; a questão é apenas quanto tempo levará. O prazo mais provável é de décadas, não séculos. Mesmo que interrompêssemos as mudanças climáticas hoje, os dias da cidade já estão contados."
O estudo compara o cenário atual com um período de aquecimento global ocorrido há 125 mil anos, quando o nível do mar subiu drasticamente. A diferença é que, naquela época, não havia uma cidade de 360 mil habitantes no caminho da água.