TOLEDO, Ohio — Um menino de Toy Story, abraçado ao secretário de Saúde dos EUA, respondeu com entusiasmo à pergunta sobre seu futuro: "Dinossauro!". A cena, em uma sala repleta de crianças, marcou a mudança de tom de Robert F. Kennedy Jr., secretário de Saúde e Serviços Humanos, em sua estratégia política.
Há semanas, Kennedy enfrentava questionamentos no Congresso sobre o aumento de doenças infecciosas em crianças americanas. Agora, em plena campanha para as eleições de meio de mandato, ele percorre o norte de Ohio em uma turnê chamada "Recupere Sua Saúde", focando em pautas menos controversas e mais populares.
Republicanos apostam que a imagem de Kennedy, conhecida por seu ativismo antivacina, possa ajudar a reter eleitores insatisfeitos com o governo de Donald Trump. Em maio, ele visitou uma creche de Toledo, parte do programa Head Start, e inspecionou cozinhas de centros infantis. Também operou, com auxílio de robótica, um paciente em cirurgia cardíaca no renomado Cleveland Clinic.
Durante entrevista exclusiva à KFF Health News, Kennedy afirmou:
"Estou desmantelando um sistema corrupto e substituindo por algo melhor, que realmente aborda a população americana cada vez menos saudável."
Entre suas supostas conquistas nos últimos meses, ele citou pressão para remover corantes de alimentos, atualização de guias nutricionais e definição de ultraprocessados. "As pessoas estão prestando atenção ao que comem, e a indústria está ouvindo; está mudando", declarou.
No entanto, a 800 km de Washington, Kennedy não conseguiu escapar das contradições da política do governo Trump. Em uma creche de Toledo, pôsteres com o slogan "Coma Comida de Verdade" de Kennedy dividiam espaço com cartazes do programa Head Start — alvo de cortes orçamentários propostos pela Casa Branca no ano passado, que ameaçavam retirar US$ 12 bilhões da iniciativa.
Apesar dos US$ 30 mil em verbas federais destinados à creche para melhorias na cozinha e horta comunitária, a contradição permaneceu: enquanto Kennedy promovia alimentação saudável, sua gestão defendia cortes que prejudicariam milhares de crianças em situação de vulnerabilidade.