O Senado dos Estados Unidos aprovou, na noite de segunda-feira (27), a inclusão de US$ 1 bilhão em verbas para segurança no projeto do salão de eventos que o ex-presidente Donald Trump planeja construir na Casa Branca. A medida faz parte de um projeto de lei que destina recursos para agências de fiscalização migratória, mas ganhou destaque após a tentativa de assassinato contra Trump durante o jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca, ocorrido em 25 de abril.
A proposta, apresentada por republicanos, destina os recursos à Secretaria de Segurança Interna (USSS) para "melhorias e ajustes de segurança" relacionados ao projeto do salão. Segundo o texto, o dinheiro poderá ser usado em "medidas de segurança acima e abaixo do solo", mas não poderá financiar elementos não relacionados à segurança. O porta-voz da Casa Branca, Davis Ingle, elogiou a iniciativa, classificando o projeto como "longamente necessário" e afirmando que os recursos permitirão à USSS "endurecer completamente o complexo da Casa Branca".
A verba faz parte de um projeto maior para financiar a Imigração e Alfândega (ICE) e a Patrulha de Fronteira, cujos recursos têm sido bloqueados por democratas desde fevereiro. Embora o Congresso tenha aprovado, em 30 de abril, uma lei bipartidária para financiar o restante do Departamento de Segurança Interna após um longo shutdown, os republicanos buscam aprovar os recursos para ICE e Patrulha de Fronteira por meio de manobras orçamentárias partidárias.
O valor de US$ 1 bilhão supera os US$ 400 milhões inicialmente propostos para a construção do salão. Documentos judiciais indicam que o projeto, chamado de "East Wing", incluirá estruturas altamente fortificadas, como abrigos antibomba, instalações militares e um centro médico subterrâneo. Trump já declarou que o salão deve ter vidros à prova de balas e ser capaz de resistir a ataques com drones.
O projeto enfrenta resistência: o National Trust for Historic Preservation entrou com uma ação judicial para impedi-lo, mas um tribunal federal de apelações autorizou a continuidade das obras no mês passado. A Casa Branca afirmou que a construção será financiada com recursos privados, enquanto as medidas de segurança serão custeadas com dinheiro público. Alguns republicanos, como o senador Lindsey Graham (SC), argumentam que o episódio do jantar da imprensa demonstra a necessidade de um local seguro para eventos presidenciais. "Seria loucura" realizar novamente um evento como esse em um hotel, declarou Graham, que apresentou um projeto de lei para financiar integralmente a construção do salão.
Os democratas, no entanto, criticam o gasto. "Enquanto os americanos lutam para pagar suas contas devido às políticas fracassadas do presidente Trump, os republicanos priorizam dezenas de bilhões para um salão de vaidade do presidente", afirmou um porta-voz do Partido Democrata.