A SpaceX, empresa de Elon Musk avaliada em mais de US$ 1 trilhão, ainda não é uma companhia de capital aberto, mas seu tamanho e ambições já estão revolucionando o mercado de ações. A expectativa pelo IPO, previsto para o próximo mês, não apenas sinaliza o início de uma nova era para as ações, como também levanta debates sobre o poder e a influência de megacorporações no setor financeiro.
O impacto do IPO da SpaceX no mercado
Segundo estimativas do venture capitalist e pesquisador do MIT Paul Kedrosky, o IPO da SpaceX — que pode valer até US$ 2 trilhões — deve atrair um volume massivo de investimentos. Juntamente com as IPOs previstas da OpenAI e Anthropic, o mercado pode movimentar até US$ 5 trilhões em 2024.
Kedrosky compara o fenômeno a um tsunami financeiro: "As IPOs vão gerar uma onda de demanda sem precedentes. Investidores vão realocar recursos de outros ativos para comprar ações, criando um efeito dominó no mercado".
Mudanças nas regras da Bolsa: inclusão acelerada da SpaceX
O S&P 500 estuda alterar suas regras para incluir a SpaceX no índice com maior agilidade. Caso aprovado, isso garantiria uma demanda automática por suas ações, já que os fundos de índice — que representam uma parcela crescente do mercado — seriam obrigados a investir.
Críticos, como o investidor George Noble, argumentam que as mudanças beneficiam apenas emissores de IPO e investidores iniciais. "As regras estão sendo reescritas para enriquecer poucos às custas do seu capital", escreveu Noble em sua coluna no Substack.
O colunista do Wall Street Journal, James Mackintosh, classificou a proposta como "flagrante", afirmando que ela evidencia a existência de regras distintas para grandes empresas.
Por que as mudanças são necessárias?
Jay Ritter, diretor da iniciativa de IPO da Warrington College of Business, defende que as alterações refletem a realidade do mercado. "Os investidores querem que os índices representem a economia atual. Essas empresas provavelmente seriam incluídas mais cedo ou mais tarde, a menos que colapsem. A questão é apenas de timing", explica Ritter.
Regras flexibilizadas para megacorporações
A Nasdaq já ajustou suas normas para permitir a inclusão acelerada da SpaceX no Nasdaq 100, que reúne as maiores empresas de tecnologia. Agora, o S&P 500 estuda três mudanças para empresas classificadas como "MegaCaps" (as 100 maiores por capitalização):
- Fim da exigência de lucratividade: A SpaceX não precisará comprovar rentabilidade para entrar no índice. Essa informação só será conhecida após a publicação de seu prospecto.
- Redução do período de espera: O tempo mínimo para inclusão cai de 12 para 6 meses.
- Eliminação da obrigatoriedade de float mínimo: Antes, era necessário que 10% das ações fossem oferecidas ao público. A SpaceX planeja lançar apenas 5% de seu capital.
Evolução do mercado de IPOs: do lucro à inovação
Nos anos 1980 e 1990, a maioria das empresas que abriam capital eram lucrativas. Hoje, esse cenário mudou. "Muitas dessas regras foram criadas décadas atrás, quando o mundo era outro", observa Ritter. A SpaceX, focada em inovação e crescimento, exemplifica essa nova realidade, onde valuation e potencial de mercado muitas vezes superam a lucratividade imediata.
"Os índices devem refletir a economia atual. Essas empresas serão incluídas mais cedo ou mais tarde, a menos que enfrentem um colapso total. A questão é apenas quando."