A Toyota anunciou seus resultados do ano fiscal de 2026, que encerraram em março, revelando um cenário de conflito entre vendas recordes e prejuízos significativos. Enquanto a receita atingiu ¥50,68 trilhões — um aumento de 5,5% em relação ao ano anterior —, o lucro operacional caiu cerca de ¥1 trilhão, totalizando ¥3,77 trilhões.

Tarifas dos EUA e prejuízos na América do Norte

A principal causa do declínio foi o impacto de ¥1,38 trilhão (US$ 8,8 bilhões) em tarifas impostas pelos Estados Unidos. Esse valor foi suficiente para empurrar as operações da Toyota na América do Norte para um prejuízo operacional de ¥298,6 bilhões, mesmo com um crescimento de 8,5% nas vendas regionais. A empresa, que vendeu mais carros, terminou o ano perdendo dinheiro com a operação.

Estratégia para contornar tarifas: exportar modelos dos EUA para o Japão

Para amenizar os efeitos das tensões comerciais, a Toyota passará a exportar modelos produzidos nos EUA para o Japão ainda em 2024. Entre os veículos incluídos estão o sedan Camry, o SUV Highlander e a picape Tundra. Essa medida não busca apenas atender à demanda local, mas também equilibrar as relações comerciais com os Estados Unidos.

Vendas de veículos eletrificados batem recorde

Apesar dos desafios, a Toyota registrou um marco positivo nas vendas de veículos eletrificados: 5,04 milhões de unidades, representando 48,1% do total comercializado (11,28 milhões). Desses, 4,62 milhões foram de híbridos (HEV), 175 mil de híbridos plug-in (PHEV) e 243 mil de elétricos a bateria (BEV). As vendas de BEVs cresceram impressionantes 68,4% em relação ao ano anterior.

Para o ano fiscal de 2027, a empresa projeta mais que dobrar as vendas de BEVs, atingindo 598 mil unidades.

Perspectivas cautelosas para 2027

A Toyota divulgou projeções conservadoras para o próximo ano fiscal. Embora espere manter o volume de vendas estável, o lucro operacional deve cair 20,3%, chegando a cerca de ¥3 trilhões (US$ 19,1 bilhões). Além disso, a empresa prevê custos adicionais de ¥670 bilhões (US$ 4,27 bilhões) devido a disrupções econômicas e logísticas.

Instabilidade no Oriente Médio e guerra em andamento foram apontadas como fatores que elevam os custos de matérias-primas e energia. Somado às pressões tarifárias e a um investimento massivo de ¥1,8 trilhão (US$ 11,48 bilhões) em P&D, a montadora sinaliza aos investidores que os próximos 12 meses serão de gestão defensiva.

Dividendos aos acionistas

Apesar dos desafios, os acionistas não serão prejudicados. A Toyota anunciou um dividendo de ¥95 (US$ 0,61) por ação para o ano fiscal de 2026 e planeja aumentar para ¥100 (US$ 0,64) em 2027.