O anúncio do presidente Donald Trump de que as hostilidades com o Irã foram 'terminadas' abalou a estratégia dos democratas no Congresso sobre os poderes de guerra, segundo informações obtidas pela Axios.
Por que isso importa: A Câmara dos Deputados, liderada pelo Caucus Progressista do Congresso, planejava forçar votações diárias sobre poderes de guerra. Agora, a viabilidade dessa estratégia está em dúvida.
De acordo com assessores e parlamentares ouvidos pela Axios, os envolvidos no esforço estão reavaliando como lidar com o tema quando o Congresso retornar na próxima semana.
"Há muita coisa para acontecer até a próxima semana. Quem sabe quantas vezes Trump pode mudar de posição nesse período?"
— Deputado progressista sênior da Câmara, em entrevista à Axios
A situação recente: Os EUA realizaram ataques aéreos no porto de Qeshm e na cidade costeira de Bandar Abbas, no Irã, na quinta-feira. No entanto, um oficial americano afirmou à Axios, por meio de Barak Ravid, que a operação não representa o reinício da guerra ou a quebra do cessar-fogo.
O que motivou o debate: Trump enviou ao Congresso, na semana passada, uma notificação afirmando que "as hostilidades [com o Irã] iniciadas em 28 de fevereiro de 2026 foram terminadas". O presidente citou o cessar-fogo negociado com o Irã em 7 de abril, destacando que "não houve troca de tiros entre forças dos EUA e do Irã desde então".
Os democratas rejeitaram essa narrativa. O deputado Jared Huffman (D-Califórnia) afirmou à Axios:
"Com um bloqueio ativo, disparos e ameaças de retomar bombardeios a qualquer momento, não conheço ninguém que leve esse argumento a sério."
Análise: A notificação de Trump pode ser interpretada como uma forma de contornar a Lei de Poderes de Guerra, que exige que o presidente busque aprovação congressional para operações continuadas no Irã dentro de 60 dias após o início do conflito.
No entanto, alguns parlamentares democratas temem que a justificativa também possa ser usada pelos republicanos para barrar seus esforços de forçar votações sobre resoluções de poderes de guerra.
Um porta-voz do presidente da Câmara, Mike Johnson (R-Louisiana), não respondeu a pedidos de comentário sobre o tema.
O que ouvimos: "A maioria poderia tentar dizer: 'não vamos colocar isso em votação porque não há hostilidades nos termos da Resolução de Poderes de Guerra'", declarou um segundo deputado democrata à Axios, sob condição de anonimato para oferecer uma análise franca sobre um tema ainda em discussão interna.
O parlamentar acrescentou que o caso provavelmente será levado ao parlamentar da Câmara. "Seria uma forma bastante difícil para os republicanos agirem, mas qualquer coisa pode acontecer", afirmou.
O que acompanhar: Porta-vozes de vários deputados democratas que apresentaram resoluções de poderes de guerra nas últimas semanas não responderam a perguntas sobre se ainda planejam forçar essas votações ou se recuaram da estratégia.
Huffman declarou à Axios: "Veremos se há alguma reconsideração da estratégia quando retornarmos". Um porta-voz do deputado Jason Crow (D-Colorado) afirmou que ele e o deputado Seth Moulton (D-Massachusetts) apresentaram uma resolução de poderes de guerra mesmo após a declaração de Trump — um sinal potencial de que os planos seguem em andamento.