Agência de imigração dos EUA foi reestruturada para acelerar deportações
A administração de Donald Trump promoveu uma reforma sigilosa na USCIS (Serviço de Cidadania e Imigração dos EUA), transformando a agência responsável por vistos, green cards e naturalizações em uma ferramenta de deportação em massa. Um documento interno, analisado pelo jornalista Jonathan Blitzer do The New Yorker, detalha a criação da Divisão de Operações Táticas.
Nova divisão prioriza deportações e fiscalização
A unidade, composta por cerca de 80 agentes, concentra esforços em áreas como:
- Revogação de naturalizações;
- Reavaliação de refugiados;
- Detecção de fraudes;
- Segurança nacional;
- Análise de residentes permanentes legais (LPR) para possível revogação de status.
A divisão é comandada por Danny Andrade, nomeado recentemente para liderar a unidade de campo da USCIS em Nashville. Segundo Blitzer, a reestruturação ocorre em um momento de grave crise na agência.
Crise na USCIS: falta de pessoal e acúmulo de processos
Sarah Pierce, ex-analista de políticas da USCIS, publicou no X (antigo Twitter) que a agência perdeu milhares de funcionários em 2023. O backlog de processos atingiu recorde histórico, quase o dobro do nível de 2020. Enquanto isso, a divisão de detecção de fraudes cresce cada vez mais.
“O diretor da USCIS, Joseph Edlow, continua encontrando novas formas de realocar recursos da análise de processos para priorizar deportações.”
A força de trabalho da agência encolheu 11% em um ano, enquanto a fiscalização e prisões por imigração aumentaram. Em setembro, o governo Trump publicou uma nova regra permitindo que a USCIS contrate agentes especiais para realizar prisões. Os anúncios de emprego recentes da agência buscam profissionais chamados de “Defensores da Pátria”.
Impacto da reestruturação na imigração legal
Críticos apontam que a mudança na USCIS representa um desvio de sua missão original. A agência, antes focada em processar pedidos de imigração, agora direciona esforços para identificar casos que possam resultar em deportações, mesmo de residentes legais.
O documento interno e os relatos de ex-funcionários sugerem uma estratégia deliberada para reduzir a imigração legal nos EUA, enquanto intensifica a fiscalização e as deportações.