O professor Jonathan Zimmerman, da Universidade da Pensilvânia, publicou um ensaio instigante sobre os desafios enfrentados pelo ensino superior nos Estados Unidos na revista Liberties. Em seu texto, intitulado "O Presidente e as Universidades", Zimmerman levanta questões fundamentais sobre o papel das instituições acadêmicas diante de crises políticas e sociais.

No painel de março do ano passado, seis semanas após Donald Trump retornar à Casa Branca, Zimmerman participou de um encontro de estudiosos da educação. O tema central era as ameaças de Trump à liberdade de expressão nas universidades e ao financiamento da pesquisa. Durante o debate, Zimmerman questionou o que as universidades haviam feito — ou deixado de fazer — para contribuir com o cenário atual. "Será que não deveríamos olhar no espelho em vez de apenas nos proteger?", indagou.

A pergunta gerou um silêncio constrangedor. Em seguida, uma participante do público interveio: "Quero dizer que me senti profundamente ofendida com o termo 'olhar no espelho', que remete à história de opressão e genocídio contra povos indígenas", afirmou. A mediação do evento, então, encerrou a discussão com um alerta sobre o cuidado com as palavras, sem aprofundar o debate.

Esse episódio revela uma contradição preocupante: as universidades, que durante décadas se apresentaram como guardiãs do diálogo democrático, agora evitam o confronto com suas próprias falhas. "Saímos para almoçar" — expressão que Zimmerman usa metaforicamente — resume a situação: muitas instituições estão alheias à necessidade de mudanças estruturais.

O problema, segundo Zimmerman, vai além da polarização política. Há anos, a sociedade americana — não apenas os conservadores — vê o ensino superior como um "golpe": universidades cobram valores cada vez mais altos por diplomas de valor duvidoso, enquanto afirmam servir ao bem público. Para reverter essa imagem, não basta resistir a Trump ou a governos autoritários. É preciso uma autocrítica radical.

O ensaio conclui com um apelo: as universidades devem abandonar a postura defensiva e encarar suas responsabilidades históricas. Somente assim poderão recuperar a confiança da sociedade e cumprir seu papel na formação de cidadãos críticos e engajados.

Fonte: Reason