O senador J.D. Vance (R-OH) realizou na semana passada um discurso em uma fábrica em Des Moines, no estado de Iowa, que, embora formalmente em apoio à reeleição do deputado republicano Zach Nunn, foi interpretado como um balão de ensaio para sua já praticamente declarada candidatura à presidência em 2028. A mensagem, no entanto, deve preocupar os democratas que apostam em um possível efeito anti-Trump nas eleições de novembro e além.

Vance afirmou que as eleições de meio de mandato de novembro se resumirão a uma questão central: "Você quer representantes em Washington que lutam por você e pelos moradores deste distrito, ou que lutam pela corrupção e pela fraude?"

Surpreendentemente, dado o histórico de corrupção do ex-presidente Donald Trump, os republicanos acreditam que esse discurso seja um tema vencedor. No entanto, a eficácia da mensagem depende de como os eleitores definem corrupção e quem consideram responsável por ela.

Há anos, os republicanos direcionam críticas a grupos como pobres, pessoas negras, moradores de áreas urbanas, beneficiários de programas sociais e imigrantes. Vance manteve essa estratégia em Iowa, pois ela ressoa fortemente com eleitores rurais — um público crucial que o Partido Democrata precisa reconquistar para garantir vitórias eleitorais.

Para sustentar sua tese de que os democratas são os verdadeiros corruptos, Vance citou o Discurso do Estado da União de fevereiro, quando Trump pediu aos congressistas que se levantassem caso concordassem que "o primeiro dever do governo americano é proteger cidadãos, não imigrantes ilegais". Segundo Vance, nenhum democrata se levantou. "Eles não se importam com você. Não se importam com os moradores deste distrito, nem com os agricultores, operários ou aqueles que, de fato, fazem este país funcionar", declarou.

Ele prosseguiu: "Hoje, em Washington, o Partido Democrata está tão focado em imigração ilegal e em pessoas sem direito legal de estar aqui, que, para muitos de seus aliados, a fraude se tornou um negócio lucrativo. Eles esqueceram de cuidar de vocês." Vance definiu fraude como o uso indevido de programas governamentais e repetiu histórias falsas sobre "fraudadores somalis" recebendo benefícios indevidos. "Permitimos que a fraude se tornasse tão comum que algumas pessoas enriqueceram não criando algo, empregando ou construindo com as próprias mãos, mas desviando dinheiro que deveria ir para famílias de baixa renda, idosos e comunidades em dificuldade. Eles roubaram de seus bolsos e dos seus para enriquecer", afirmou.

Embora essas alegações sejam infundadas, elas se baseiam em crenças já disseminadas entre parte do eleitorado. Segundo a organização United Today, Stronger Tomorrow, que atua na região Intermountain West, Vance acertou ao direcionar sua crítica a um tema que mobiliza eleitores rurais — a percepção de que programas sociais são alvo de fraudes sistemáticas.

Para especialistas, o desafio dos democratas é redirecionar a indignação contra a corrupção para alvos mais críveis, que também ressoem com esse público. A estratégia de Vance, embora controversa, demonstra como os republicanos estão explorando narrativas que conectam com as frustrações de comunidades muitas vezes negligenciadas pela política tradicional.