Ativistas indígenas enfrentam até 20 anos de prisão na Rússia

A defensora climática indígena Selkup, Daria Egereva, deveria estar em Nova York esta semana para participar do Fórum Permanente da ONU sobre Questões Indígenas. Há dois anos, ela havia discursado no evento sobre os desafios enfrentados pelos povos indígenas diante da degradação ambiental e das mudanças climáticas. No entanto, em vez disso, Egereva está presa na Rússia, acusada de participação em grupo terrorista, o que pode resultar em até 20 anos de prisão.

A prisão ocorreu em 17 de dezembro, junto com Natalya Leongardt, outra ativista russa de direitos indígenas. O nome de Leongardt só foi divulgado publicamente na semana passada. Ambas são acusadas de integrar o Aborigen Forum, uma rede informal de ativistas indígenas que foi desmantelada pelo governo russo há dois anos.

Repressão como teste para outras causas

Especialistas apontam que a detenção das ativistas reflete uma repressão crescente contra a defesa dos direitos indígenas na Rússia, parte de um movimento mais amplo de autoritarismo que se intensificou após a invasão da Ucrânia. Segundo Laura Henry, professora de governo no Bowdoin College e especialista em política russa contemporânea:

"Os ativistas indígenas têm sido um termômetro para novas formas de repressão que o governo russo testa primeiro neles e depois aplica a outros grupos, como ambientalistas, feministas e defensores de direitos humanos."

Trajetória de luta pelos direitos indígenas

Egereva, co-presidente do Fórum Internacional de Povos Indígenas sobre Mudanças Climáticas, atua há anos na defesa climática internacional. Conhecida por seu otimismo e capacidade de motivar outros, ela defende fortemente o reconhecimento dos direitos territoriais indígenas e o valor do conhecimento tradicional na luta contra as mudanças climáticas.

Joan Carling, ativista indígena das Filipinas e cofundadora da Indigenous Peoples Rights International, destaca:

"Ela não apenas defende o reconhecimento, mas também a valorização e o apoio ao conhecimento indígena, que contribui com soluções efetivas para as mudanças climáticas."

Em 2022, Egereva discursou na ONU, alertando sobre a vulnerabilidade dos povos indígenas diante da degradação ambiental e da falta de acesso a serviços básicos. Em novembro deste ano, ela participou da COP30 em Belém (Brasil), onde defendeu a inclusão de mulheres indígenas nas discussões sobre políticas climáticas.

Perseguição sistemática aos defensores de direitos indígenas

Leongardt, por sua vez, é conhecida por liderar programas educacionais para povos indígenas na Rússia e atuou como estagiária na sede da ONU em Genebra. Sua prisão, junto com Egereva, reforça a tendência de perseguição sistemática aos ativistas que atuam em defesa dos direitos indígenas no país.

No mês passado, um tribunal russo prorrogou a prisão preventiva das duas ativistas. O caso levanta preocupações sobre o futuro da defesa dos direitos indígenas na Rússia e o crescente controle do governo sobre a sociedade civil.

Contexto: repressão na Rússia

  • Autoritarismo crescente: Desde a invasão da Ucrânia, o governo russo tem intensificado o controle sobre organizações da sociedade civil.
  • Criminalização de ativistas: Redes de defesa de direitos indígenas e ambientais têm sido alvo de perseguição judicial.
  • Impacto global: A prisão de Egereva e Leongardt pode inibir a participação de ativistas em fóruns internacionais.
Fonte: Grist