O estado do Alabama está acelerando um plano de redistritamento considerado racista após a Suprema Corte enfraquecer a Lei dos Direitos de Voto. Nesta sexta-feira (12), o governador republicano Kay Ivey convocou uma sessão especial da Assembleia Legislativa estadual para a próxima semana. O objetivo é aprovar novos mapas congressionais e para o Senado estadual, além de preparar legislação para eleições primárias especiais.

A decisão foi tomada um dia após o procurador-geral do Alabama, Steve Marshall, pedir à Suprema Corte que autorizasse a implementação de novos mapas — redesenhados em 2023 — mas que haviam sido barrados pela Lei dos Direitos de Voto.

Na decisão Louisiana v. Callais, divulgada na quarta-feira (10), a maioria conservadora de seis juízes da Suprema Corte efetivamente desmantelou a Seção 2 da Lei dos Direitos de Voto, que proíbe a discriminação racial no processo eleitoral. Embora a decisão não tenha eliminado completamente a lei, ela criou novas barreiras para quem busca provar casos de gerrymandering racial. Além disso, abriu brechas para que práticas de gerrymandering partidário sejam usadas como defesa legal.

Os novos mapas propostos redefiniriam os dois distritos congressionais de maioria negra no Alabama: o 2º Distrito e o 7º Distrito.

O 2º Distrito Congressional, representado pelo deputado Shamari Figures, abrange Mobile e Montgomery. Segundo o Alabama Reflector, a população negra nesse distrito cairia de 49% para 40%. Já o 7º Distrito Congressional, liderado pela deputada Terri Sewell, é o mais antigo distrito de maioria negra do estado e envia democratas negros para Washington desde 1993. Esse distrito inclui Selma, além de partes de Birmingham, Tuscaloosa e Montgomery.

O influenciador de direita CJ Pearson publicou em sua conta no X (antigo Twitter) que a decisão da Suprema Corte "provavelmente levará a uma delegação totalmente republicana!" Pearson, um dos primeiros a noticiar a convocação da sessão especial, afirmou que a medida foi resultado de pressão do procurador-geral Steve Marshall, da candidata a procuradora-geral Katherine Robertson, e do secretário de Estado Wes Allen.