Kory Sherer é um artista de Toledo, cidade conhecida como "Glass City" por sua tradição no trabalho com vidro. Seu meio de expressão, no entanto, vai além: ele domina a arte de transformar tubos de vidro em esculturas luminosas, preenchidos com gases como neon ou argônio e eletrificados com milhares de volts. Durante o dia, Sherer cria e restaura letreiros neon; à noite, no entanto, seu talento se revela em esculturas automotivas que brilham intensamente quando energizadas.
Mesmo desligadas, suas obras impressionam pela complexidade e beleza do vidro moldado. Quando a eletricidade percorre os tubos, elas se tornam verdadeiras obras de arte luminosa. Sherer descobriu sua paixão ainda criança, quando pintava letreiros no quintal de casa aos 8 anos. Mas foi na adolescência que encontrou seu verdadeiro chamado, graças a um conselho de seu padrasto.
Da paixão ao ofício: a trajetória de Sherer com o neon
"Meu padrasto me disse que, se eu aprendesse a trabalhar com neon, sempre teria dinheiro para uma fatia de pizza", contou Sherer, hoje com 53 anos, ao Shifting Gears Substack. Aos 19 anos, ele viajou até Detroit para aprender com Sam Paris, um experiente artista de neon. O aprendizado aconteceu em um galpão na região de I-75 e McNichols, uma área considerada difícil na década de 1990.
"Eu não pensava que trabalharia com neon pelo resto da vida. Quando meu padrasto me deu aquele conselho, levei duas caixas de cerveja, uma câmera de vídeo e fui até Sam. Fiquei lá por quatro anos, dormindo em sua mesa de sinuca. Tornamo-nos amigos, e nunca assisti àquela fita de vídeo que gravei."
Sherer trabalhava o dia todo para Paris e, à noite, tinha permissão para praticar com os maçaricos. "Em Toledo, os profissionais não compartilhavam conhecimento, pois você poderia se tornar um concorrente", explicou. "Por estar a uma hora de distância, em Michigan, pude me aproximar de Sam. Ele se tornou meu mentor."
A ascensão de um artista: de Toledo ao mundo
Após seu aprendizado, Sherer abriu sua própria oficina, a Bent Custom Neon, no norte de Toledo. Em 2020, pouco antes do Dia de Ação de Graças, ele publicou um vídeo em sua página no Facebook demonstrando como soprar uma bolha de vidro. O conteúdo viralizou: em poucos dias, o vídeo atingiu mais de 1 milhão de visualizações. Desde então, Sherer expandiu sua presença nas redes sociais, acumulando centenas de milhares de seguidores no Facebook, Instagram e YouTube.
Seu reconhecimento foi além das telas. Em 2023, Sherer e sua esposa, Stephanie, foram convidados a participar do Detroit Autorama, um dos principais eventos de carros customizados dos Estados Unidos. Suas obras — uma picape Jeep em neon e um Ford Mustang 1967 Shelby — chamaram tanta atenção que ofuscaram carros de alto valor disputando o prestigiado Ridler Award.
Kenny Douglass, presidente da Michigan Hot Rod Association e responsável pela curadoria do evento, confessou ter ficado hipnotizado ao ver os vídeos das esculturas. "Foi incrível! Assisti ao vídeo quatro ou cinco vezes. É simplesmente único", declarou.
O segredo por trás das esculturas neon
As criações de Sherer não são apenas peças decorativas: elas exigem precisão técnica e criatividade. Cada escultura automotiva é projetada para capturar a essência do veículo original, mas com um toque futurista graças ao neon. O processo envolve:
- Desenho e planejamento: Sherer esboça cada peça, definindo o layout dos tubos de vidro e a disposição das luzes.
- Dobra e moldagem: Os tubos de vidro são aquecidos e moldados com cuidado para criar as formas desejadas.
- Preenchimento com gás: Os tubos são preenchidos com neon ou argônio e selados.
- Eletrificação: Um sistema elétrico de alta tensão é instalado para acender as esculturas.
- Detalhes finais: Pintura, acabamentos e ajustes são feitos para garantir durabilidade e impacto visual.
"O desafio é equilibrar a estética com a funcionalidade", afirmou Sherer. "Cada peça precisa ser resistente o suficiente para ser exibida em eventos, mas também deve transmitir a magia do neon."
Legado e inspiração
Sherer não apenas mantém viva a tradição do neon, como também a reinventa. Suas esculturas atraem não só entusiastas de carros, mas também artistas e colecionadores de todo o mundo. Para ele, o neon é mais do que uma técnica: é uma forma de contar histórias por meio da luz e do vidro.
"Quando vejo as pessoas se emocionarem ao ver minhas obras, sei que estou no caminho certo", disse Sherer. "É gratificante saber que, décadas depois daquele primeiro letreiro no quintal, ainda estou criando algo que inspira as pessoas."