O cometa interestelar 3I/ATLAS, que chamou a atenção ao adentrar nosso sistema solar em 2023, pode ter uma história dramática: sua origem estaria em uma região fria e remota da Via Láctea. Essa descoberta foi possível graças a observações realizadas pelo observatório ALMA, no Chile, que analisou a composição do visitante cósmico — classificado como um cometa.

Em um estudo publicado na revista Nature, pesquisadores liderados por Luis Salazar Manzano, da Universidade de Michigan, revelaram que o 3I/ATLAS liberou cerca de 70 piscinas olímpicas de água por dia enquanto se aproximava do Sol. Essa evaporação permitiu analisar os materiais presentes em seu núcleo, incluindo compostos essenciais para a vida, segundo outros astrônomos que também estudaram o objeto.

Ao examinar a nuvem de vapor liberada, os cientistas identificaram uma alta concentração de deutério, um isótopo pesado de hidrogênio. Enquanto a água comum contém hidrogênio com apenas um próton, o deutério possui um próton e um nêutron, formando a chamada água pesada.

Os resultados surpreenderam: o cometa apresentou uma quantidade de água pesada 30 vezes maior do que a de cometas originários do nosso sistema solar e 40 vezes superior à encontrada nos oceanos terrestres. Segundo Manzano, “isso é mais do que qualquer coisa já observada em outros sistemas planetários ou cometas”.

Essa descoberta sugere que o 3I/ATLAS se formou em uma região pouco exposta à radiação, com poucas estrelas próximas. Com idade estimada em pelo menos 7 bilhões de anos — mais velho que o Sol, que tem cerca de 4,5 bilhões de anos —, o cometa oferece pistas valiosas sobre a formação de outros sistemas estelares.

Um vislumbre da diversidade cósmica

Teresa Paneque-Carreño, coautora do estudo, destacou que a descoberta reforça a ideia de que as condições que levaram à formação do nosso sistema solar não são universais. “Pode parecer óbvio, mas é algo que precisamos comprovar”, afirmou à BBC Sky at Night.

Além de desvendar a origem do 3I/ATLAS, o estudo contribui para entender melhor a diversidade de ambientes onde sistemas planetários podem se formar. A pesquisa também levanta questões sobre como a vida pode surgir em diferentes condições cósmicas.

Fonte: Futurism