O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, pediu nesta quarta-feira (10) um cessar-fogo abrangente no conflito entre os Estados Unidos e o Irã, classificando a situação como "profundamente preocupante". A declaração ocorre após uma reunião com o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, em Pequim, e em meio a tensões crescentes no Estreito de Ormuz, vital para o comércio global de petróleo.
A visita de Araghchi à China acontece às vésperas de uma reunião agendada entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping, marcada para 14 e 15 de maio. Será a primeira viagem de Trump à China durante seu segundo mandato e a primeira de um presidente americano desde 2017.
Wang Yi afirmou que "uma trégua abrangente é urgentemente necessária" e que "a retomada das hostilidades não é aceitável". Segundo ele, o conflito já dura mais de dois meses e causou "perdas graves ao povo iraniano" além de impactar a paz regional e global. "A China está profundamente aflita com essa situação", declarou.
Durante entrevista à mídia estatal iraniana, Araghchi destacou que a visita incluiu discussões sobre o Estreito de Ormuz, o programa nuclear do Irã e as sanções impostas a Teerã. Ele afirmou que o país atingiu "uma posição internacional elevada" após o conflito, demonstrando sua capacidade e força.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, expressou esperança de que a China pressione o Irã a reabrir o Estreito de Ormuz, principal alavanca de Teerã nas negociações. "Espero que os chineses digam ao Irã o que precisa ser dito", declarou durante coletiva à imprensa na Casa Branca.
O Estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% do petróleo global, foi fechado pelo Irã após o início do conflito em 28 de fevereiro, elevando os preços do barril de petróleo Brent para cerca de US$ 100 nesta semana — ainda acima dos US$ 70 registrados antes da guerra. Trump havia pausado recentemente uma operação para reabrir a passagem, buscando um acordo diplomático.
A China, aliada econômica e política do Irã, é vista como peça-chave para mediar o conflito. O governo chinês tem sido pressionado pelos EUA a usar sua influência para convencer Teerã a flexibilizar sua postura no estreito.