O juiz Clarence Thomas acaba de entrar para a história do Supremo Tribunal dos Estados Unidos (SCOTUS). Na semana passada, ele se tornou o segundo magistrado com o maior tempo de serviço na Corte, atrás apenas de William O. Douglas. Se permanecer no cargo até 2028, Thomas superará Douglas e se tornará o juiz mais longevo da história do SCOTUS.
Além do recorde, Thomas já é reconhecido como uma das figuras mais influentes da Suprema Corte. Suas posições, antes vistas como dissidentes, passaram a orientar decisões majoritárias em casos emblemáticos. Entre eles, estão a expansão do direito ao porte de armas, com a decisão New York State Rifle and Pistol Association v. Bruen, e a revogação do direito constitucional ao aborto, em Dobbs v. Jackson Women's Health Organization.
No entanto, sua trajetória nem sempre foi marcada por vitórias. Em alguns casos recentes, suas opiniões dissidentes foram rejeitadas pela maioria. Um exemplo é o caso Learning Resources v. Trump, em que a Corte não acatou sua defesa de amplos poderes executivos. Thomas chegou a redigir um voto dissidente amargo e controverso.
Até o momento, ainda restam 11 casos importantes a serem julgados na atual sessão do SCOTUS (2025–2026). Portanto, o impacto total de sua jurisprudência ainda não pode ser mensurado. Atualmente, o terceiro juiz com maior tempo de serviço é Stephen Field, nomeado por Abraham Lincoln. A comparação entre Field e Thomas revela semelhanças notáveis.
Paralelos entre Thomas e Stephen Field
Assim como Thomas, Field passou grande parte de sua carreira escrevendo votos dissidentes. No entanto, suas ideias acabaram sendo adotadas pela Corte em decisões posteriores. Um marco foi o caso The Slaughter-House Cases (1873), em que Field defendeu uma interpretação restritiva das garantias constitucionais. Embora sua posição tenha sido inicialmente rejeitada, a Suprema Corte a incorporou em 1897 e, mais tarde, em 1905, no caso Lochner v. New York — uma decisão com repercussões duradouras.
Esse episódio demonstra que, mesmo em dissidência, um juiz pode influenciar o futuro da Corte. Thomas segue o mesmo caminho: suas visões sobre armas, aborto e ações afirmativas, antes minoritárias, agora são refletidas em decisões majoritárias. Como Field, sua influência persistirá mesmo após deixar o cargo.
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Em outro episódio que gerou debate no meio jurídico, o advogado Neal Katyal, conhecido por sua atuação no caso contra as tarifas de Donald Trump, publicou um post viral nas redes sociais. Katyal revelou que utilizou inteligência artificial para se preparar para os argumentos orais no Supremo Tribunal. Sua postagem, no entanto, provocou discussões sobre o uso da IA no Direito e até críticas ao tom considerado arrogante.
O caso reforça a crescente discussão sobre o papel da tecnologia na advocacia e na tomada de decisões judiciais, um tema que promete ganhar ainda mais relevância nos próximos anos.