A América Latina está testemunhando um crescimento acelerado na adoção de veículos elétricos (VEs), com a Costa Rica se destacando como um dos principais exemplos. A alta nos preços da gasolina, tanto globalmente quanto em países como os EUA, tem impulsionado consumidores a buscar alternativas mais econômicas, como os VEs produzidos por fabricantes chineses.
Em março de 2026, as vendas de VEs na América Latina, África e partes da Ásia registraram um aumento de 79% em comparação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados da Benchmark Mineral Intelligence. No acumulado de 2025, o crescimento foi de 48% nessas regiões. Marcas chinesas como BYD, Geely e MG estão conquistando espaço rapidamente, oferecendo veículos tecnologicamente avançados e com preços competitivos.
Costa Rica: um laboratório de mobilidade elétrica
A Costa Rica se tornou um caso emblemático do que acontece quando não há restrições à importação de VEs chineses. O país, onde o preço médio da gasolina é de US$ 1,61 por litro — acima da média global de US$ 1,46 por litro —, registrou que 18% de todas as vendas de veículos no primeiro trimestre de 2026 foram de VEs, segundo The New York Times.
Kattia Cambronero, membro da Assembleia Legislativa da Costa Rica, destacou que a adoção dos VEs proporciona “soberania energética” ao país, reduzindo a dependência de importações de petróleo bruto, cujo preço é volátil. Em resposta, o governo aprovou recentemente legislação para acelerar a instalação de estações de carregamento, fortalecendo ainda mais a transição para a mobilidade elétrica.
Por que os consumidores estão migrando para os VEs?
Segundo uma pesquisa da Asomove, associação de veículos elétricos da Costa Rica, 70% dos entrevistados apontaram o custo como o principal motivo para a troca de veículos a combustão por elétricos. A acessibilidade dos modelos chineses, aliados à alta nos preços dos combustíveis, tornou a mudança não apenas viável, mas necessária para muitos consumidores.
O contraste com os EUA e outros mercados
Nos Estados Unidos e em outros países que impõem tarifas ou restrições à importação de VEs chineses, os consumidores não têm acesso a essas opções econômicas e tecnologicamente competitivas. Enquanto isso, na América Latina e em outras regiões emergentes, a ausência de barreiras comerciais tem permitido um crescimento exponencial do mercado de VEs, com marcas como BYD, MG e Geely liderando a transformação.
Com os preços da gasolina projetados para permanecerem elevados em 2026 e 2027, a tendência de adoção de veículos elétricos deve se intensificar, especialmente em mercados onde a relação custo-benefício é prioridade.