Diagnóstico grave, mas ciência oferece nova esperança contra o câncer de pâncreas

O ex-senador Ben Sasse (R–Neb.), ex-presidente da Universidade da Flórida, revelou em dezembro de 2023 que havia sido diagnosticado com câncer de pâncreas em estágio 4. "O câncer de pâncreas avançado é devastador; é uma sentença de morte", declarou. Ele está certo: pacientes diagnosticados nesse estágio têm uma taxa de sobrevida de apenas 3% em cinco anos e geralmente sobrevivem menos de um ano.

Novos tratamentos dobram a sobrevida em casos avançados

No entanto, pesquisadores anunciaram recentemente avanços significativos no tratamento do câncer de pâncreas, que não apenas aumentam a expectativa de vida, mas também oferecem esperança de cura. Sasse, por exemplo, participa de um ensaio clínico com um novo medicamento, o daraxonrasib, desenvolvido pela Revolution Medicines. O fármaco ataca uma mutação RAS, presente em cerca de 90% dos casos de câncer de pâncreas e responsável pelo crescimento tumoral.

A empresa anunciou que pacientes tratados com o medicamento dobraram sua sobrevida média, passando de 6,7 para 13,2 meses. A próxima etapa é buscar a aprovação da FDA (agência reguladora dos EUA) para o tratamento.

Vacina personalizada com mRNA mostra resultados promissores

Outra inovação vem do Memorial Sloan Kettering Cancer Center, em Nova York, onde pesquisadores desenvolveram uma vacina personalizada contra o câncer de pâncreas baseada em mRNA. O estudo envolveu 16 pacientes em estágios iniciais (1 e 2) da doença, que tiveram seus tumores removidos cirurgicamente.

Os tumores foram enviados à BioNTech, que criou vacinas personalizadas para cada paciente, direcionadas às mutações específicas de seus cânceres. Em oito dos 16 pacientes, a vacina ativou células imunes capazes de combater o câncer. Desses oito, sete estavam vivos entre quatro e seis anos após a cirurgia — um resultado excepcional, já que pacientes operados costumam viver cerca de dois anos e meio após o diagnóstico. Dos oito pacientes que não responderam à vacina, apenas dois permanecem vivos.

Os pesquisadores agora iniciaram um ensaio clínico de fase 2 para validar esses resultados em uma amostra maior.

mRNA contra o câncer: o legado da pandemia

Um estudo preliminar de outubro de 2023 revelou que pacientes vacinados recentemente com imunizantes de mRNA contra a COVID-19 tiveram uma resposta imune mais forte ao receberem imunoterapias contra o câncer. Aquelas que receberam a vacina mRNA contra a COVID-19 até 100 dias antes do início do tratamento contra o câncer apresentaram melhora significativa na sobrevida média e em três anos.

Esses achados reforçam o potencial do mRNA não apenas no combate a doenças infecciosas, mas também no tratamento de cânceres agressivos como o de pâncreas, desmentindo boatos infundados sobre uma suposta relação entre vacinas mRNA e o surgimento de "cânceres turbo".

O que vem pela frente?

Os avanços recentes sinalizam um novo capítulo no tratamento do câncer de pâncreas, doença conhecida por seu prognóstico sombrio. Com terapias direcionadas e imunoterapias personalizadas, a ciência está transformando o que antes parecia uma sentença de morte em uma batalha com chances reais de vitória.

Fonte: Reason