Mais de 70 democratas nos Estados Unidos assinaram uma carta aberta ao presidente Donald Trump expressando preocupação significativa com sua postura favorável à entrada de montadoras chinesas no mercado americano. A iniciativa marca uma rara união bipartidária em Washington, com foco na ameaça representada pelos carros chineses de baixo custo que ganham espaço globalmente.
Em resposta a um discurso de Trump no Detroit Economic Club em janeiro, onde ele afirmou que acolheria fábricas chinesas nos EUA — "se quiserem construir uma planta, contratar você e seus vizinhos, isso é ótimo" —, os legisladores enviaram a carta recentemente. O timing não é casual: Trump se reunirá com o presidente chinês Xi Jinping no próximo mês, e os democratas temem que um acordo comercial possa facilitar o acesso das empresas chinesas ao mercado americano.
Demandas por ações mais duras contra montadoras chinesas
A carta exige que Trump adote medidas decisivas para bloquear a entrada de fabricantes chinesas nos EUA. Entre as principais reivindicações estão:
- Manutenção e fortalecimento das tarifas e fiscalizações comerciais existentes contra automóveis e montadoras chinesas;
- Proibição de operações de manufatura chinesas no território americano;
- Exclusão de veículos produzidos por empresas chinesas ou controladas no Canadá ou México dos benefícios do USMCA (Acordo Estados Unidos-México-Canadá);
- Aceleração e expansão de restrições a veículos conectados chineses.
Os signatários argumentam que a indústria automotiva americana sustenta cerca de 10 milhões de empregos e representa 5% do PIB do país. Eles alertam que o setor chinês não compete em condições de igualdade, pois é impulsionado por uma estratégia estatal de dominação global, com subsídios governamentais, financiamentos abaixo do mercado e práticas não convencionais ao longo da cadeia de suprimentos.
Risco de 'porta dos fundos' para o mercado americano
Outra preocupação levantada na carta é o potencial de veículos chineses ingressarem nos EUA por meio do USMCA, aproveitando a integração com o Canadá e o México. Os democratas pedem que qualquer veículo de propriedade ou controlado por chineses — independentemente do local de fabricação — seja impedido de entrar no mercado americano por meio desse acordo ou de qualquer outro mecanismo.
Embora a mensagem possa afetar marcas como Polestar e Volvo, que têm ligações com a China, o foco principal é evitar que a indústria automotiva chinesa se estabeleça nos EUA ou utilize países vizinhos como rota alternativa. A pressão sobre Trump reflete uma crescente inquietação bipartidária com a crescente presença de veículos chineses no mercado global e seus possíveis impactos na economia e segurança nacional americana.