Um segundo grande fabricante de automóveis, a Nissan, segue os passos da Toyota e emitiu um comunicado interno alertando sobre uma escassez iminente de óleo motor. O documento, enviado a concessionárias nos Estados Unidos, destaca restrições globais no fornecimento de matérias-primas essenciais, agravadas pelo conflito no Oriente Médio, o que reduz a capacidade de produção de lubrificantes.
A partir de 1º de maio de 2026, a Nissan implementará um sistema de racionamento do óleo motor genuíno, incluindo as linhas Mobil e Mobil 1. A alocação será limitada a 55% do volume consumido no ano anterior, tanto para óleo a granel quanto para embalagens individuais. A medida busca gerenciar a disponibilidade em meio à crise de suprimentos.
Em comunicado enviado às concessionárias, a montadora esclarece:
"Estamos escrevendo para fornecer uma atualização importante sobre a disponibilidade de produtos de óleo motor em toda a rede Nissan nos EUA. Devido a restrições contínuas no fornecimento global de matérias-primas e insumos de refino, fomos informados sobre a redução da capacidade de produção da maioria dos lubrificantes."
A empresa ainda destaca que as concessionárias não são obrigadas a pagar o preço praticado pela Nissan junto ao fornecedor para óleo a granel. No entanto, qualquer serviço autorizado deve ser realizado com um lubrificante aprovado pela Nissan, ainda que não necessariamente fornecido por ela. Isso serve como um alerta aos consumidores: optar por óleos não aprovados pode comprometer a garantia do veículo.
Por que a escassez afeta até óleos sintéticos?
Embora o conflito no Oriente Médio esteja diretamente ligado ao petróleo bruto tradicional, a crise também impacta a produção de óleos base — a matéria-prima essencial para todos os tipos de lubrificantes, incluindo os sintéticos. Segundo a ExxonMobil, os óleos base são os "blocos de construção" dos lubrificantes, produzidos por fabricantes especializados e misturados por empresas para criar os produtos finais.
Vale ressaltar que nem todo óleo sintético é 100% sintetizado. Muitos produtos rotulados como sintéticos contêm uma mistura de óleos minerais e aditivos, atendendo apenas aos critérios mínimos para serem classificados como sintéticos. Essa dependência de óleos base — muitas vezes derivados de petróleo bruto — explica por que a crise afeta até mesmo lubrificantes avançados.
A Nissan não respondeu ao pedido de confirmação da autenticidade do comunicado até o fechamento desta reportagem. O documento foi acompanhado por um FAQ detalhado, ao contrário do que ocorreu com o alerta da Toyota.
Impactos para os proprietários de veículos
- Maior custo de manutenção: Com a redução na oferta, os preços dos serviços podem subir, especialmente às vésperas da temporada de viagens de verão nos EUA.
- Risco à garantia: O uso de óleos não aprovados pela Nissan pode anular a cobertura da garantia do veículo.
- Planejamento necessário: Proprietários devem se preparar para possíveis atrasos ou limitações em revisões e trocas de óleo.
A situação reforça a importância de planejar a manutenção preventiva e priorizar o uso de lubrificantes recomendados pelo fabricante, mesmo em meio a crises de fornecimento.