O debate sobre a concentração de riqueza nos Estados Unidos ganhou novos contornos nesta semana, após declarações polêmicas de Steven Roth, CEO da Vornado Realty Trust. Em uma ligação de resultados financeiros, ele classificou a expressão “taxar os ricos” como discurso de ódio, equiparando-a a ofensas raciais e até a frases como “do rio ao mar”.
Roth justificou sua posição após o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, gravar um vídeo comemorando a aprovação de um imposto sobre segundas residências de alto valor, exibido em frente a um prédio de sua empresa que abriga um apartamento avaliado em US$ 238 milhões, pertencente ao bilionário Kenneth Griffin. A compra, feita em 2019, foi a transação imobiliária mais cara da história da cidade até então.
Embora a crítica de Mamdani a Griffin possa ser questionável, o executivo foi além, sugerindo que a retórica política teria responsabilidade em atos de violência — como no caso do assassinato do executivo da United Healthcare, Brian Thompson, ocorrido nas proximidades de sua residência. Especialistas, no entanto, reiteram que apenas os autores de crimes são responsáveis por suas ações, não o discurso político.
A discussão, contudo, vai muito além de um debate sobre palavras ou responsabilidades individuais. O que milhões de americanos rejeitam é a extrema desigualdade de riqueza e poder político no país. Dados recentes revelam que, nas eleições de 2024, 300 bilionários e suas famílias foram responsáveis por 19% de todas as doações para campanhas federais, totalizando mais de US$ 3 bilhões. Esse montante não apenas ajudou a eleger Donald Trump, mas também candidatos como Tim Sheehy, senador do Montana que arrecadou US$ 47 milhões de bilionários em sua campanha.
Esse cenário levanta uma questão fundamental: a democracia americana está sendo minada pela influência desproporcional de uma elite econômica? A resposta parece óbvia para muitos. Em 2021, o bilionário David Koch chegou a declarar:
“Tenho o direito de gastar quanto quiser para promover o que acredito.”Tal afirmação não apenas reforça a ideia de que o sistema político está à venda, mas também evidencia o desprezo por limites democráticos.
Enquanto políticos e executivos como Roth se preocupam com críticas a sua riqueza, a população enfrenta uma realidade cada vez mais distante: a maioria dos americanos não odeia indivíduos, mas sim um sistema que perpetua privilégios inalcançáveis. A solução, defendem analistas, passa por reformas que limitem o poder do dinheiro na política — algo que, até agora, parece cada vez mais distante.