A inteligência artificial (IA) tem sido apontada como a principal ameaça ao mercado de trabalho, com previsões de demissões em massa. No entanto, durante o Semafor’s World Economy Summit, o CEO da Indeed, Hisayuki “Deko” Idekoba, destacou um problema ainda mais urgente: o envelhecimento da população.

Segundo Idekoba, a redução da força de trabalho devido ao envelhecimento será muito mais significativa e imediata do que os impactos da IA. Em pesquisa da Indeed, foi projetada uma queda de cerca de 20 milhões de trabalhadores nos próximos 15 anos nos EUA, o que representa uma redução de 5% na mão de obra total. Desse total, apenas 20% deixarão o mercado por substituição por IA, enquanto os outros 80% se aposentarão.

O executivo citou países como o Japão, onde políticas de incentivo à contratação de mulheres já são adotadas para compensar a escassez. Nos EUA, entretanto, a restrição à imigração pode agravar o problema, deixando lacunas em setores essenciais.

Setores mais afetados pela escassez

Idekoba destacou que a falta de mão de obra será especialmente crítica em áreas como:

  • Construção civil;
  • Instalações hidráulicas e elétricas;
  • Saúde;
  • Outros serviços essenciais.

“Há tantas vagas abertas que não conseguimos preenchê-las”, afirmou. “São empregos fundamentais, mas não temos um pipeline de substitutos adequado.”

Automação não resolverá todos os problemas

Algumas empresas veem a automação como solução para a escassez, especialmente em funções administrativas. Um estudo da Universidade de Yale, de 2025, indicou que a IA poderia ajudar em setores como secretariado jurídico e assistência administrativa — áreas com alta presença de trabalhadores mais velhos. No entanto, Idekoba ressaltou que muitos empregos, especialmente nos setores manuais e técnicos, não serão facilmente substituídos por máquinas.

“O que está acontecendo é uma mudança demográfica profunda. Não é apenas uma questão de tecnologia, mas de estrutura populacional.” — Hisayuki “Deko” Idekoba, CEO da Indeed

A advertência reforça a necessidade de políticas públicas e iniciativas privadas para preparar o mercado para essa transição, evitando um colapso em setores críticos da economia.