A Fórmula 1 enfrenta mais um capítulo controverso: pilotos e chefes de equipe estão sendo investigados pela Guarda di Finanza, a polícia fiscal italiana, por suspeita de evasão de impostos. Segundo relatos da mídia local, as autoridades analisam se os rendimentos dos astros do esporte foram declarados corretamente no país, mesmo que eles residam no exterior.
O advogado Alessandro Mei, responsável pela denúncia contra a F1, afirmou:
"É indiscutível que atletas que auferem renda na Itália, mesmo não residindo no país, devem declará-la e pagar impostos aqui."
Embora não haja processo criminal aberto até o momento, o "Taxgate" é apenas um dos muitos escândalos que marcaram a história da Fórmula 1. Desde infrações técnicas até acusações de acidentes propositais e atividades criminosas, o esporte já viveu episódios tão dramáticos que parecem roteiros de cinema.
Os casos mais polêmicos da história da F1
Cornergate: o atalho que mudou a classificação de 1959
No Grande Prêmio dos Estados Unidos de 1959, em Sebring, o piloto americano Harry Schell garantiu a terceira posição no grid atrás de seus companheiros de equipe na Cooper-Climax, Jack Brabham e Stirling Moss. Ele conseguiu esse feito com um atalho que ignorou toda a reta de trás, reduzindo seu tempo em seis segundos. No entanto, Schell abandonou a corrida após seis voltas com problemas na embreagem, e sua manobra não teve impacto na classificação final.
Weightgate: a estratégia ilegal dos tanques de água nos anos 1980
Na estreia da era turbo da F1, em 1982, os carros aspirados eram mais leves que os turbinados e precisavam de lastro para atingir o peso mínimo. As equipes Brabham, Williams e McLaren encontraram uma brecha: instalaram freios refrigerados a água, que permitiam começar a corrida no peso exigido e, em seguida, esvaziar os tanques para correr mais leves. Antes das inspeções pós-corrida, os tanques eram reabastecidos. A estratégia funcionou temporariamente: Nelson Piquet e Keke Rosberg terminaram em primeiro e segundo no Grande Prêmio do Brasil, mas foram desclassificados após protestos das equipes com motores turbo.
Em 1984, a Tyrrell tentou uma tática semelhante. Embora o reabastecimento durante a corrida fosse proibido, a equipe aproveitou as paradas finais para adicionar uma mistura de água e chumbo aos tanques, não apenas para atingir o peso legal, mas também para injetar combustível extra e ganhar performance. Descoberta a fraude, a Tyrrell foi expulsa do campeonato.
Quase 40 anos depois, a BAR repetiu o erro. Após marcar pontos no Grande Prêmio de San Marino de 2005, o carro de Jenson Button foi encontrado 5 kg abaixo do peso mínimo. Os comissários descobriram um segundo tanque de combustível oculto. A equipe recorreu, mas a FIA apresentou provas no Tribunal Internacional de Apelação de que a única forma de o carro ter chegado ao peso mínimo era com o tanque extra.
Esses casos mostram que, ao longo de sua história, a Fórmula 1 já enfrentou — e ainda enfrenta — escândalos que vão muito além das pistas.