Acusações de espionagem tecnológica
A administração Trump acusou, nesta quinta-feira (12), atores ligados à China de promover campanhas deliberadas em escala industrial para copiar modelos avançados de inteligência artificial (IA) desenvolvidos nos Estados Unidos.
Detalhes das acusações
Segundo um memorando enviado pelo diretor do Escritório de Política de Ciência e Tecnologia da Casa Branca, Michael Kratsios, a maioria dos ataques teria origem na China. Os responsáveis usariam contas-espelho para burlar sistemas de detecção e jailbreak modelos de IA, expondo informações proprietárias e extraindo capacidades técnicas.
Os ataques por distillation envolvem consultas repetidas a modelos proprietários — como Claude ou Gemini — por meio de APIs, milhões de vezes, para criar conjuntos de dados que replicam seu comportamento.
Kratsios afirmou que essas campanhas permitem que atores estrangeiros lancem modelos que imitam capacidades de IA americanas a um custo muito inferior. Além disso, esses ataques podem remover barreiras de segurança projetadas para manter os outputs ideologicamente neutros e baseados em fatos.
Contexto político e reação das empresas
A denúncia ocorre às vésperas da viagem de Trump a Pequim, prevista para o próximo mês, onde o presidente americano deve buscar concessões econômicas e redefinir partes da relação bilateral.
Em fevereiro deste ano, OpenAI e Anthropic revelaram que empresas chinesas — incluindo DeepSeek, Moonshot AI e MiniMax — estariam por trás de ataques em larga escala contra seus modelos de IA.
Histórico de espionagem e próximos passos
Os EUA há anos acusam a China de roubar propriedade intelectual de empresas americanas como parte de esforços de espionagem cibernética. Em 2024, o Departamento de Justiça indiciou um ex-engenheiro da Google por repassar segredos comerciais de IA a duas empresas chinesas.
No entanto, Kratsios alertou que os modelos obtidos por meio desses ataques podem não ser confiáveis a longo prazo. Em seu memorando, ele escreveu:
"À medida que os métodos para detectar e mitigar ataques em escala industrial se tornam mais sofisticados, as entidades estrangeiras que constroem suas capacidades de IA sobre fundações frágeis devem ter pouca confiança na integridade e confiabilidade dos modelos que produzem."
Como resposta, a administração Trump planeja compartilhar inteligência com empresas americanas de IA sobre as táticas usadas nos ataques e auxiliar o setor privado no desenvolvimento de defesas.
Principais pontos:
- EUA acusam China de campanhas em escala industrial para copiar modelos de IA americanos;
- Ataques por distillation exploram vulnerabilidades em modelos como Claude e Gemini;
- Empresas chinesas, como DeepSeek, são citadas em investigações;
- Trump deve abordar o tema em visita a Pequim no próximo mês;
- Governo americano planeja compartilhar inteligência com empresas para fortalecer defesas.