EUA retomam investimentos em energia nuclear com reatores de nova geração
Após 13 anos sem novos projetos de reatores nucleares nos Estados Unidos, o país finalmente deu início a duas iniciativas inovadoras. A primeira, da startup Kairos Power, iniciou a construção de uma planta de demonstração em Oak Ridge, no Tennessee, na semana passada. Poucos dias depois, a TerraPower, empresa fundada por Bill Gates, também iniciou as obras de sua primeira usina nuclear em Kemmerer, no Wyoming.
Segundo Chris Levesque, presidente da TerraPower, o projeto não é um mero reator de testes, mas uma usina nuclear em escala real conectada à rede elétrica, com previsão de conclusão em 42 meses. "Este é um marco para a energia nuclear nos EUA", afirmou Levesque ao The Wall Street Journal.
China lidera, mas EUA buscam reduzir dependência de combustível russo
Apesar do avanço, os EUA ainda estão muito atrás da China em termos de capacidade de construção nuclear. Além disso, o país enfrenta um desafio imediato: a proibição total de importação de combustível nuclear da Rússia até 2028, conforme lei recente. Para contornar o problema, o Departamento de Energia dos EUA anunciou na semana passada a formação de um Consórcio de Ciclo de Combustível Nuclear, reunindo 90 empresas do setor sob a égide da Lei de Produção de Defesa (Defense Production Act).
Essa legislação, criada durante a Guerra da Coreia, concede ao governo federal poderes para direcionar a produção industrial. O objetivo é aumentar a capacidade nacional de enriquecimento de urânio e reduzir a dependência externa.
Análise do MIT aponta economia bilionária com extensão de vida útil de usina na Califórnia
Enquanto os novos projetos avançam, a Califórnia mantém sua moratória sobre a construção de novas usinas nucleares. No entanto, um estudo recente do MIT Center for Energy and Environmental Policy Research revelou que manter a usina de Diablo Canyon operando até 2045 poderia gerar uma economia superior a US$ 20 bilhões em comparação com alternativas renováveis obrigatórias no estado.
Segundo o relatório, os custos evitados chegariam a US$ 7,6 bilhões se a usina continuasse operando até 2045. Quando comparado ao portfólio atual de energias renováveis obrigatórias para atingir as metas climáticas de 2045, a economia superaria US$ 20 bilhões, ou mais de US$ 1,3 bilhão por ano.
"Os resultados mostram que, em muitos cenários, estender a vida útil de Diablo Canyon é a opção mais econômica para a Califórnia atingir suas metas de descarbonização"
Desafios pela frente: legislação e concorrência internacional
Apesar dos avanços, os EUA ainda enfrentam obstáculos significativos. A moratória da Califórnia sobre novas usinas nucleares e a necessidade de modernizar a infraestrutura existente são apenas alguns deles. Além disso, o país precisa acelerar a construção de novos reatores para competir com a China, que atualmente lidera o setor em número de novas usinas em operação.
Para especialistas, os recentes projetos da Kairos Power e TerraPower são passos importantes, mas ainda insuficientes para garantir a segurança energética do país a longo prazo. "Precisamos de um plano nacional coordenado para revitalizar a energia nuclear nos EUA", afirmou um analista do setor.