A Beast Industries, conglomerado midiático avaliado em US$ 5 bilhões fundado pelo youtuber MrBeast, está sendo processada por uma ex-funcionária que alega ter sofrido assédio sexual, discriminação por gênero e demissão logo após retornar da licença-maternidade.
A empresa negou categoricamente as acusações, afirmando possuir provas — incluindo mensagens do Slack e WhatsApp, documentos internos e depoimentos de testemunhas — que contrariam as alegações da ação judicial. O processo foi protocolado na terça-feira (17) no Tribunal Distrital Federal do Leste da Carolina do Norte.
Ambiente hostil e cultura machista
Segundo a denúncia, a Beast Industries operava como um clube masculino, onde mulheres eram excluídas de reuniões dominadas por homens, humilhadas diante de colegas e instruídas a “ficar caladas”, enquanto os homens tinham liberdade para agir de forma infantil. A ex-funcionária, Lorrayne Mavromatis, foi contratada em 2022 e demitida em 2025, menos de três semanas após seu retorno da licença-maternidade.
Antes disso, a ação alega que ela foi rebaixada após reclamar de assédio sexual e do ambiente hostil, tanto para ela quanto para outras mulheres. A empresa, no entanto, nega que tenha ocorrido rebaixamento.
Documento controverso e alegações graves
A denúncia menciona a distribuição de um guia intitulado “Como ter sucesso na produção do MrBeast”, que continha frases como “É normal os homens agirem como crianças” e “‘Não’ não significa não”. Além disso, o documento afirmava que “a quantidade de horas trabalhadas não importa”. A empresa esclareceu que se trata de um manual de produção, não um guia de conduta, e que o documento vazou em 2024.
Mavromatis também alega ter sofrido assédio sexual por parte de seus superiores, incluindo reuniões com o CEO James Warren em sua residência, onde ele fazia comentários sobre sua aparência. Segundo o processo, Warren teria dito que ela era “bonita demais” e que sua presença tinha “certo efeito sexual” em Jimmy Donaldson (MrBeast).
“Jimmy fica muito constrangido perto de mulheres bonitas. Digamos que, quando ele vai ao banheiro, não é exatamente para usar o sanitário.” — Depoimento de Lorrayne Mavromatis, segundo a ação judicial.
A empresa classificou a alegação como “ridícula”, afirmando que se trata de uma exploração das condições médicas de Donaldson, que incluem doença de Crohn e problemas oculares.
Discriminação generalizada e casos anteriores
O processo não se limita a Mavromatis. A ação alega que executivos masculinos faziam piadas sobre participantes femininas do BeastGames — reality show produzido pela empresa em parceria com a Amazon MGM Studios — quando elas reclamavam da falta de acesso a produtos de higiene feminina e roupas íntimas limpas durante a competição.
Em 2024, participantes do BeastGames já haviam relatado problemas na produção, como alimentação inadequada, falta de cuidados médicos e lesões graves, com alguns sendo removidos em macas. A empresa não se pronunciou oficialmente sobre essa alegação.
A porta-voz da Beast Industries declarou à Fast Company:
“Esta queixa oportunista é baseada em distorções deliberadas e afirmações falsas, e nós temos as provas. Não vamos ceder a advogados que buscam fabricar um acordo financeiro às nossas custas.”
A empresa não respondeu a pedidos de comentários adicionais sobre o caso.