Acionistas aprovam megafusão de US$ 110 bilhões
A Warner Bros. Discovery avançou na fusão com a Paramount após a aprovação dos acionistas em uma transação avaliada em US$ 110 bilhões. Contudo, o caminho à frente é complexo e repleto de obstáculos regulatórios.
Reguladores e segurança nacional em foco
Embora a aprovação do Departamento de Justiça dos EUA seja dada como certa, a operação enfrenta revisões da Competition Markets Authority (Reino Unido) e da Comissão Europeia. Além disso, congressistas americanos pediram análise da CFIUS (Comitê de Investimento Estrangeiro) sobre um investimento de US$ 24 bilhões de fundos soberanos do Oriente Médio na Paramount. A empresa, no entanto, afirma que esse aporte não exigirá revisão obrigatória.
Estados americanos podem ser a maior ameaça
Grupos contrários à fusão, incluindo sindicatos e associações de exibidores, veem nos procuradores-gerais estaduais a principal barreira. Após vitórias recentes em casos como o da Live Nation e da fusão Nexstar-Tegna, os AGs ganharam credibilidade para contestar a operação.
"A aprovação dos acionistas foi a parte fácil. As verdadeiras batalhas estão apenas começando."
— Braden Perry, advogado regulatório, em entrevista ao TheWrap
Prazos e penalidades
A Warner Bros. Discovery e a Paramount esperam concluir a fusão até o terceiro trimestre de 2024. Caso não seja fechada até 30 de setembro, a WBD receberá um "ticking fee" de 25 centavos por ação por trimestre. Se a transação não se concretizar por questões regulatórias, a Paramount pagará à WBD uma multa de US$ 7 bilhões.
"A aprovação dos acionistas representa mais um marco importante rumo à conclusão da aquisição da Warner Bros. Discovery, reforçando nosso progresso em captações de dívida e equidade, além das aprovações regulatórias. Aguardamos ansiosos pelo fechamento da transação nos próximos meses e pela criação de uma empresa de mídia e entretenimento de próxima geração, que beneficie tanto a comunidade criativa quanto os consumidores."
— Declaração oficial da Paramount
Hollywood se mobiliza contra a fusão
Milhares de profissionais de Hollywood, sindicatos e grupos de exibidores trabalham para impedir a conclusão do negócio. O Comitê pela Primeira Emenda, liderado por Jane Fonda, afirmou:
"Esta fusão não está garantida — e a luta está longe de acabar."
Procuradores-gerais estaduais ganham força
Apesar de muitos analistas considerarem a aprovação do DOJ inevitável, há expectativa de que os AGs estaduais intervenham. Recentemente, eles obtiveram vitórias significativas:
- Um júri considerou a Live Nation e o Ticketmaster um monopólio, após ação de mais de 30 procuradores-gerais estaduais;
- Um juiz federal bloqueou a fusão Nexstar-Tegna, mesmo após aprovação da FCC.
Esses casos fornecem um roteiro para que os AGs contestem a fusão Warner Bros.-Paramount, possivelmente por meio de ações judiciais.
Rob Bonta, procurador-geral da Califórnia, afirmou ao TheWrap que ainda estuda medidas legais, mas não descarta ações futuras.