A General Motors (GM), Ford e Stellantis registraram prejuízos bilionários em 2023 devido a estratégias mal-sucedidas com veículos elétricos (EVs). No entanto, os executivos dessas empresas receberam pacotes milionários de remuneração, levantando questionamentos sobre a justiça dessas recompensas.
Mary Barra, da GM, recebe US$ 29,9 milhões mesmo com prejuízo de US$ 7,9 bilhões
A GM registrou um rombo de US$ 7,9 bilhões em 2023, relacionado à redução de investimentos em EVs. Mesmo assim, a CEO Mary Barra recebeu uma remuneração total de US$ 29,9 milhões, um aumento de 1,4% em relação ao ano anterior. Seu salário-base foi de US$ 2,1 milhões, enquanto as ações e bônus superaram US$ 26 milhões.
Surpreendentemente, Barra não foi a executiva mais bem paga da GM. O diretor de produto, Sterling Anderson, recebeu US$ 40,3 milhões, em grande parte devido a um bônus de contratação após deixar a startup Aurora Innovation. O presidente Mark Reuss e o CFO Paul Jacobson também tiveram aumentos, recebendo US$ 19,3 milhões e US$ 13,8 milhões, respectivamente.
Ford reajusta bônus para incluir híbridos e paga US$ 27,5 milhões a Jim Farley
A Ford anunciou prejuízos de US$ 19,5 bilhões em 2023, enquanto reescrevia suas regras de bônus para incluir não apenas EVs, mas também veículos híbridos. Essa mudança permitiu que a empresa atingisse suas metas de vendas eletrificadas, resultando em um aumento de 11% na remuneração do CEO Jim Farley, que recebeu US$ 27,5 milhões.
Um porta-voz da Ford justificou a decisão, afirmando que a remuneração de Farley reflete o desempenho geral da empresa, incluindo um retorno de 42% aos acionistas e receita recorde. A montadora também destacou a importância de uma estratégia diversificada, que inclui híbridos.
Stellantis registra prejuízo de US$ 26,2 bilhões e paga US$ 6,37 milhões ao CEO
A Stellantis, dona das marcas Jeep, Fiat e Peugeot, registrou um prejuízo de US$ 26,2 bilhões em 2023 devido a investimentos excessivos em EVs. Antonio Filosa, CEO da empresa, recebeu US$ 6,37 milhões, embora tenha assumido o cargo apenas na segunda metade do ano.
Os dados revelam um contraste entre os prejuízos bilionários das montadoras e as altas remunerações de seus executivos, gerando debates sobre a responsabilidade corporativa e a distribuição de lucros em tempos de crise.