Roubo de US$ 293 milhões abala confiança no DeFi

A exploração no Kelp DAO-LayerZero, que resultou no roubo de US$ 293 milhões, é o 10º maior ataque registrado na base de dados do DefiLlama. Embora não seja o maior da história — o Bybit, em 2023, superou US$ 1,4 bilhão — o episódio gerou uma crise de confiança sem precedentes no mercado de finanças descentralizadas (DeFi).

O evento reacendeu temores semelhantes aos de 2022, quando o mercado enfrentou uma série de falências bilionárias que levaram o Bitcoin a US$ 16 mil. Agora, a dúvida não é se o setor sobreviverá, mas se a tecnologia por trás do DeFi realmente cumpre suas promessas de segurança e descentralização.

DeFi em xeque: especialistas comparam com crise de 2008

O investidor Jon Wu resumiu o sentimento atual: “Sei que o DeFi não acabou, mas parece que sim. Não é apenas mais um bear market com apatia e volumes zerados. É a sensação de que a composição atômica de instrumentos financeiros arbitrários, garantidos por contratos únicos, pode ter sido um erro.”

Seraphim Czecker, da Solana Foundation, foi mais direto: “Parece o momento Lehman do DeFi”, em referência à quebra do banco Lehman Brothers em 2008, que desencadeou a crise financeira global.

O hack não afetou apenas o Kelp DAO. A exploração gerou uma dívida ruim na plataforma Aave, levando muitos usuários a retirarem seus depósitos — uma queda de quase 40% em sete dias. Com isso, o Aave perdeu o posto de maior protocolo DeFi para o Lido.

Detalhes da exploração e respostas do mercado

O(s) hacker(s) conseguiu(ram) roubar mais de 116 mil rsETH e tentou(ram) converter outros 40 mil, avaliados em US$ 92 milhões. No entanto, o Kelp DAO conseguiu pausar os contratos inteligentes a tempo. Os criminosos tentaram trocar as criptomoedas em exchanges descentralizadas e tomar empréstimos em protocolos como Aave, usando Ethereum e Arbitrum como redes.

Além do Kelp DAO, outras organizações agiram rapidamente:

  • Aave congelou as reservas de rsETH;
  • A Arbitrum, por meio de seu conselho de segurança de 12 membros, congelou cerca de 31 mil Ether, avaliados em US$ 72 milhões;
  • Griff Green, membro do conselho de segurança da Arbitrum, afirmou que a decisão não foi tomada levianamente;
  • Steven Goldfeder, fundador da Arbitrum, classificou o episódio como “uma das decisões mais complexas da história da governança da Arbitrum”.

Futuro do DeFi: segurança e descentralização em xeque

O investidor Simon Dedic destacou que a segurança é um dos setores mais negligenciados no DeFi: “A relação risco-recompensa simplesmente não é atraente o suficiente. O DeFi foi criado para eliminar o risco de intermediários e tornar as finanças mais seguras, mas hoje parece que atingimos o oposto.”

Para especialistas, o episódio reforça a necessidade de melhorar o perfil de risco da tecnologia. Enquanto isso, o mercado segue atento, questionando se o DeFi conseguirá recuperar a confiança dos investidores ou se o episódio marcará um ponto de virada irreversível.

“O DeFi não acabou, mas a sensação é de que estamos diante de um momento crítico. A tecnologia precisa provar que pode ser segura e verdadeiramente descentralizada.” — Jon Wu

Fonte: DL News