Jasmir Urbina, uma solicitante de asilo nicaraguense que vivia legalmente em Nova Orleans com o marido, também solicitante de refúgio, foi vítima de um golpe milionário após contratar um suposto advogado para regularizar sua situação nos EUA. A história, revelada pela ProPublica, expõe como imigrantes desesperados estão sendo alvo de fraudes durante as operações de deportação do governo de Donald Trump.
Em novembro de 2025, Urbina, de 35 anos, aguardava uma audiência crucial para definir seu futuro no país. Com o anúncio da Operação Swamp Sweep, uma megaoperação de deportação do governo Trump, ela ficou ainda mais ansiosa. Dias antes da data marcada para sua audiência, Urbina começou a buscar ajuda jurídica e encontrou, em um anúncio no Facebook, os serviços da Catholic Charities, uma organização de assistência a imigrantes conhecida por oferecer suporte legal.
Após alguns cliques, ela entrou em contato pelo WhatsApp com uma pessoa que se identificava como Susan Millan, alegando ter formação em Direito. A foto da mulher, que mostrava uma estante de livros ao fundo, parecia profissional, o que deu confiança a Urbina. Durante as conversas, Millan compartilhou detalhes pessoais — como um marido doente e dois filhos — para criar laços com a vítima.
A suposta advogada prometeu resolver o caso de Urbina por meio de uma audiência virtual com as autoridades de imigração dos EUA. Para isso, pediu documentos, incluindo cinco referências de caráter, e cobrou taxas extras para enviá-los. Entre outubro e novembro de 2025, Urbina e o marido pagaram quase US$ 10 mil (cerca de R$ 50 mil na cotação atual) por meio do aplicativo Zelle — dinheiro que haviam separado para a compra de sua primeira casa.
Em 21 de novembro, Urbina participou da audiência virtual, que durou apenas cinco minutos. Ela afirmou ter falado com um homem vestido em uniforme verde, com insígnias que pareciam oficiais, sentado em frente a uma bandeira americana. No dia seguinte, Millan informou que ela havia ganho o direito à residência e que os documentos chegariam pelo correio. Urbina, aliviada, chegou a perguntar se ainda precisava comparecer à audiência marcada para 24 de novembro. A resposta foi: “Não, não se preocupe. Não há necessidade.”
Porém, quando tentou entrar em contato novamente no dia seguinte, o WhatsApp de Millan não respondeu mais. Após dois dias de silêncio, Urbina suspeitou do golpe e enviou uma mensagem furiosa:
“Deus está conosco e luta por seus filhos; hoje você mexeu com a pessoa errada e vai pagar pelo que fez, covardes.”Não houve resposta. Além disso, descobriu-se que não existia nenhuma advogada com esse nome na Catholic Charities.
O caso de Urbina não é isolado. Especialistas em imigração alertam que, com o endurecimento das políticas de deportação nos EUA, os golpes contra imigrantes têm aumentado drasticamente. Muitos criminosos se aproveitam do desespero de pessoas que buscam regularizar sua situação, prometendo soluções rápidas em troca de dinheiro.
Autoridades recomendam que imigrantes sempre verifiquem a credibilidade de profissionais antes de contratar serviços e evitem pagamentos por aplicativos não rastreáveis, como Zelle ou Western Union. Além disso, órgãos como o Departamento de Justiça dos EUA mantêm listas de advogados credenciados para evitar fraudes.