A ex-secretária do Trabalho dos EUA, Lori Chavez-DeRemer, deixou o cargo após uma investigação interna revelar uma série de condutas inadequadas. Entre as acusações estão viagens de trabalho pagas por funcionários para comprar vinhos para ela, armazenamento de bebidas no escritório e um relacionamento com um membro de sua equipe de segurança.
Chavez-DeRemer também teria incentivado jovens funcionárias a 'prestar atenção' em seu pai e marido, além de organizar viagens de trabalho para visitar familiares e amigos. Sua renúncia foi anunciada na segunda-feira (11), encerrando um mandato marcado por polêmicas.
Padrão de instabilidade no governo Trump
Embora os detalhes do caso sejam incomuns, especialistas destacam que a rotatividade no governo do presidente Donald Trump não é novidade. Desde o início de seu segundo mandato, pelo menos três altos funcionários já deixaram o cargo ou foram afastados.
Entre os casos recentes estão a ex-secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, dispensada após um polêmico anúncio de campanha de segurança fronteiriça, e a ex-procuradora-geral Pam Bondi, afastada por supostas irregularidades na gestão de arquivos relacionados a Jeffrey Epstein.
Alta rotatividade histórica
Dados do Brookings Institute revelam que cerca de um terço da equipe de alto escalão da Casa Branca — conhecida como 'A Team' — já deixou o governo desde janeiro do ano passado. Dos 30 funcionários analisados, 22 renunciaram ou foram pressionados a sair, enquanto oito foram realocados para outros cargos.
Apesar da redução em relação ao primeiro mandato de Trump, quando a rotatividade chegou a 92% na 'A Team' e 14 membros do gabinete deixaram o cargo, o índice ainda é significativamente maior do que a média histórica de outros presidentes. Em média, apenas 10% da equipe executiva costuma ser substituída no primeiro ano de um mandato.
Por que a instabilidade persiste?
Analistas sugerem que a melhora na taxa de rotatividade em seu segundo mandato pode estar relacionada a uma seleção mais criteriosa de nomeados, embora o padrão de instabilidade continue acima da média. Especialistas também apontam que a cultura de lealdade incondicional a Trump pode estar contribuindo para a saída frequente de funcionários que não atendem às expectativas do presidente.
"A rotatividade no governo Trump não é apenas alta, mas também revela um padrão de nomeações baseadas em lealdade em vez de qualificação", afirmou um analista político ouvido pela imprensa.
Com casos como o de Chavez-DeRemer, o governo Trump segue enfrentando desafios para manter a estabilidade em sua equipe, mesmo após quatro anos de gestão.