Um novo estudo publicado na revista JAMA Cardiology revela que mulheres que passam pela menopausa natural antes dos 40 anos têm um risco 40% maior de desenvolver doenças coronarianas ao longo da vida. A pesquisa, que analisou dados de mais de 10 mil mulheres nos Estados Unidos entre 1964 e 2018, também identificou que mulheres negras têm três vezes mais chances de enfrentar a menopausa precoce em comparação com mulheres brancas.

Menopausa precoce: o que diz o estudo

A menopausa precoce ocorre quando os ovários deixam de funcionar e a menstruação cessa antes dos 40 anos. Segundo estimativas, cerca de 3% a 4% das mulheres podem passar por algum tipo de menopausa antes dessa idade, número superior à antiga estimativa de 1% para casos de menopausa precoce clínica. O estudo, conduzido por pesquisadores da Northwestern University, confirmou que o aumento de 40% no risco de infarto ou doença coronariana fatal se mantém independentemente da raça.

Impacto da menopausa precoce na saúde cardiovascular

A médica Stephanie Faubion, diretora médica da The Menopause Society e não envolvida no estudo, explicou que a relação entre menopausa e saúde cardiovascular está ligada à perda precoce de estrogênio, hormônio que protege o coração, cérebro e ossos, especialmente em mulheres mais jovens.

Segundo a cardiologista Priya Freaney, autora principal do estudo, a queda nos níveis de estrogênio desencadeia uma série de mudanças prejudiciais ao organismo:

  • Redução da massa muscular;
  • Aumento da gordura visceral e abdominal;
  • Rigidez das artérias;
  • Elevação do colesterol e da pressão arterial.

“Todos esses fatores, somados nos anos que antecedem e sucedem a menopausa, criam um ambiente menos saudável para o coração”, afirmou Freaney em entrevista à Healthline.

Disparidades raciais no risco de menopausa precoce

O estudo destacou que mulheres negras têm 15,5% de chances de passar pela menopausa antes dos 40 anos, enquanto mulheres brancas têm apenas 4,8%. Embora o aumento de 40% no risco cardiovascular se aplique a todas as raças, a frequência maior de menopausa precoce entre mulheres negras amplia significativamente o impacto desse problema na saúde pública.

Recomendações de especialistas

Os pesquisadores enfatizam a importância de as mulheres compartilharem seu histórico de menopausa com seus médicos. Além disso, recomendam medidas preventivas para reduzir os riscos cardiovasculares, como:

  • Controle da pressão arterial;
  • Monitoramento dos níveis de colesterol;
  • Prática regular de exercícios de força;
  • Gerenciamento do estresse.

“Estamos falando de um evento que ocorre antes do meio da vida de uma pessoa. Isso deve ser visto como uma oportunidade: quanto mais cedo implementarmos a prevenção, maior será o impacto a longo prazo.” — Priya Freaney, MD, autora principal do estudo.

Possíveis causas da menopausa precoce

Na maioria dos casos, não há uma causa clara para a menopausa precoce. No entanto, condições como doenças autoimunes, infecções, inflamações e mutações genéticas podem desencadeá-la. Os pesquisadores ressaltam que mais estudos são necessários para entender melhor os fatores de risco e desenvolver estratégias de prevenção mais eficazes.