Desde o fim do boom imobiliário pós-pandemia, em 2022, a relação de poder no mercado imobiliário americano vem mudando gradualmente dos vendedores para os compradores. No entanto, essa transição não é uniforme em todo o país. Enquanto algumas regiões já registram estoque de imóveis acima dos níveis pré-pandemia, outras ainda enfrentam escassez, o que influencia diretamente a valorização dos preços.
Segundo dados da Realtor.com, o estoque nacional de imóveis ativos cresceu 4,6% no último ano (de abril de 2025 a abril de 2026), uma desaceleração em relação ao crescimento de 30,6% registrado no período anterior. Mesmo assim, o mercado ainda está 11,8% abaixo dos níveis de abril de 2019, antes da pandemia.
Os números mostram uma recuperação gradual, mas desigual. Enquanto estados como Flórida apresentam queda no estoque (-12% em um ano), outras regiões, especialmente no Meio-Oeste e Nordeste, ainda enfrentam um mercado apertado. Confira os dados históricos de abril dos últimos dez anos:
- Abril 2017: 1.198.424 imóveis
- Abril 2018: 1.102.064 imóveis
- Abril 2019: 1.137.198 imóveis
- Abril 2020: 941.733 imóveis
- Abril 2021: 435.663 imóveis (auge do boom pandêmico)
- Abril 2022: 379.978 imóveis (auge do boom pandêmico)
- Abril 2023: 562.966 imóveis
- Abril 2024: 734.318 imóveis
- Abril 2025: 959.251 imóveis
- Abril 2026: 1.002.935 imóveis
Se a atual taxa de crescimento anual (+43.684 imóveis por ano) se mantiver, o estoque poderia chegar a 1.046.619 imóveis em abril de 2027 — embora não seja uma previsão, apenas uma projeção matemática.
Estados com maior e menor crescimento de estoque
Embora a maioria dos estados tenha registrado aumento no estoque em relação ao ano passado, o ritmo de crescimento vem desacelerando em várias regiões. A Flórida, por exemplo, é um dos poucos estados onde o estoque caiu 12% no último ano, refletindo a fragilidade de seu mercado nos últimos dois anos.
Já estados como Alabama, Dakota do Sul e Indiana lideram o crescimento de estoque, com altas superiores a 20% em 12 meses. Essa diversidade reforça a ideia de que o mercado imobiliário americano segue em um processo de normalização desigual, com reflexos diretos nos preços e na estratégia de compra e venda.
"O equilíbrio entre oferta e demanda no mercado nacional tem se mostrado mais estável recentemente, mas ainda há mercados locais onde a escassez persiste, especialmente em regiões do Meio-Oeste e Nordeste."
Para especialistas, a tendência é que o estoque continue se recuperando, mas de forma gradual. Enquanto isso, compradores em estados com escassez ainda enfrentam competição acirrada, enquanto aqueles em mercados com mais opções podem negociar melhores condições.