Jeff Bezos, dono do The Washington Post, e sua esposa, Lauren Sanchez, são co-presidentes honorários do Met Gala 2024, um dos eventos de moda mais exclusivos do mundo. Enquanto o jornal enfrenta prejuízos de US$ 100 milhões por ano e demitiu um terço de sua redação, Bezos desembolsou entre US$ 20 milhões e US$ 30 milhões para participar do evento.

Além dos custos diretos, Sanchez gasta cerca de US$ 1 milhão mensais em roupas para manter sua imagem perante Anna Wintour, editora-chefe da Vogue e organizadora do Met Gala. Este ano, os Bezoses foram convidados a financiar o evento, que arrecada milhões para o Instituto de Vestuário do Museu Metropolitano de Arte (Met).

O instituto abriga mais de 33 mil peças de vestuário histórico, mas não exibe permanentemente suas coleções devido à fragilidade dos materiais. Embora o Met Gala seja apresentado como uma ação filantrópica, Bezos tem uma visão diferente: “Isso não é um empreendimento filantrópico. Um jornal saudável e independente deve ser autossustentável.”

Enquanto o The Washington Post luta para se manter, o Instituto de Vestuário já atingiu a autossuficiência. Segundo relatório do The New York Times, desde 2016, os US$ 166,5 milhões arrecadados pelo Met Gala ao longo de uma década foram direcionados a um fundo de doações. Com custos anuais de apenas US$ 5 milhões, o instituto já acumulou cerca de US$ 116 milhões, gerando uma renda anual de US$ 5,8 milhões — mais do que suficiente para cobrir suas despesas.

Apesar disso, o evento continua a ser um símbolo de status entre celebridades e milionários. Cancelá-lo, no entanto, parece improvável. Uma alternativa seria transformar o Met Gala em uma arrecadação para o The Washington Post, direcionando os recursos para um meio de comunicação essencial para a democracia.

Enquanto o jornal enfrenta cortes drásticos, o instituto de moda já não depende mais de doações. A pergunta que fica é: por que não priorizar o jornalismo independente em vez de um evento de moda milionário?