O governo do ex-presidente Donald Trump está reorientando o programa de bolsas em cibersegurança CyberCorps Scholarship for Service, que exige que os bolsistas trabalhem em órgãos governamentais após a graduação, para focar em inteligência artificial (IA). A decisão, comunicada por e-mail a coordenadores de universidades participantes e obtida pela CyberScoop, surpreendeu e desanimou estudantes que ainda integram o programa.

O e-mail conjunto da Office of Personnel Management (OPM), da National Science Foundation (NSF) e do Departamento de Segurança Interna (DHS) anunciou que o programa passará a se chamar CyberAI SFS. A justificativa apresentada é que os estudantes formados em dois ou três anos não terão empregabilidade sem conhecimento avançado em IA.

Segundo o documento, os novos bolsistas do programa devem demonstrar proficiência em aplicar IA em cibersegurança ou garantir a segurança e resiliência de sistemas de IA. Além disso, os candidatos ao programa tradicional agora precisam incluir em suas inscrições um plano de como desenvolverão competências na intersecção entre cibersegurança e IA. Essa descrição pode abranger desde programas formais de estudo até projetos de pesquisa, competições, certificações ou desenvolvimento profissional externo.

Um bolsista que está prestes a se formar criticou a mudança por três motivos principais: a ausência de comunicação prévia sobre a alteração, o tratamento dado aos estudantes atuais — chamados de "legado" — e a afirmação de que, em breve, eles não terão empregabilidade sem expertise em IA.

"Fiquei decepcionado", declarou o estudante à CyberScoop. "Até esta semana, nenhuma das agências envolvidas — OPM, NSF e DHS — havia comunicado qualquer mudança. Fiquei surpreso ao ver que o anúncio ignorava completamente quem ainda está no programa. Todos na minha turma já são considerados 'legado', e a mensagem de que não seremos empregáveis em breve é preocupante."

O bolsista, que integra um grupo de cerca de 300 estudantes, também expressou incerteza sobre como a mudança afetará as colocações profissionais no governo. "Já é difícil conseguir uma posição devido aos cortes recentes em empregos de cibersegurança e outros problemas na administração do programa. Não sei o que se deve à falta de conhecimento em IA ou a outros fatores", afirmou.

Outro bolsista criticou a OPM por, segundo ele, "afirmar repetidamente que age em nosso melhor interesse", enquanto os estudantes são "deixados de lado". A falta de respostas para dúvidas também tem gerado frustração. "Se somos o programa legado, como essa mudança resolve nossos problemas? Somos simplesmente empurrados para um canto e esquecidos. Agora, eles dizem que não seremos empregáveis em dois anos sem IA, mas quase nenhuma universidade oferece isso", completou.